Dezesseis de janeiro de dois mil e doze

Eram 20h30 quando:

a) Estava saindo do serviço;

b) Estava programando a carona para a vinda do trabalho no dia seguinte, às 7 de la matina.

Tudo isso, depois de dormir seis horas e meia, porque o golden globe não estava tão ruim, acordar com papai me ligando às 08h30 para descer com minha sobrinha; colocar um vestido – todas as calças estavam na máquina! – , engolir duas colheres de granola e encarar 200 mil baldiações para chegar à firma.

O dia também não terminou quando eu trabalhei com dezenas de projetos (super bacanas, diga-se de passagem), resolvi probemas sobre CNPJ / CPF / o escambal e descobrir que trabalhar na ONU deve ser mais fácil que receber grana de freela de jeito simples, rápido e indolor.

Ligar para irmã número 3 e pedir dois favores (entenda-se: subornar); conseguir falar com a irmã número 2 para conseguir uma carona no meio do caminho, parar no Mc e perceber que não há nada de saudável E vegetariano naquela budega, passar no mercado, comprar comida,  chegar em casa às 22h30, ver o absurdo do Bial anunciar a expulsão de um estuprador porque ele “infringiu as regras do programa”.

São 23h17 e eu:

a) tenho que escrever 2 pautas

b) tomar banho com minnha toalha-coreana-linda-que-mudou-minha-vida

c) escolher a roupa de amanhã

d) acordar às 06h30 e pegar a carona que consegui há quase três horas.

e) não ir para cama pensando em como meu espanhol estava péssimo hoje no trabalho.

f) e não acordar pensando nisso também.

Vai deixar saudades*

Como eu mesma imaginei, 2011 foi realmente um ano diferente. Em termos de felicidade prática, acho que ganha de 2009.

Ou seja: realmente foi o ano da virada.

Sem escola ou faculdade, pude mergulhar em minha vida profissional como nunca tinha feito. A Panarea Digital foi uma feliz surpresa – e veio para mudar tudo.

Muita responsa ser a única brasileira da empresa , mas tão bacana quanto. Conviver com estrangeiros foi uma das coisas mais legais deste ano.

Deixando puxa-saquismo tudo isso de lado, 2011 teve várias primeiras vezes: primeiro ano sem provas e trabalhos, Argentina, umbanda, baladeeenha de samba, espanhol…

Se 2012 for tão ótimo quanto foi 2011, já tô no lucro. :)

Só ontem li essa entrevista, feita em abril. A talentosíssima Eliane Brum conversou com Débora Noal, uma psicóloga que trabalha para os Médicos Sem Fronteiras. Uma leitura inspiradora para esse começo fim de ano.

*mas que 2012 seja muito bem-vindo!

Porque, no fim das contas, eu amo escrever

Por mais clichê que possa ser, Steve Jobs deve estar certo. Em seu famoso discurso em Stanford, ele fala sobre como somente no futuro a gente consegue ligar os pontos e enxergar com clareza o que fizemos em nossa vida.

No momento, eu ainda estou desenhando esses pontos.

Além de ter começado a trabalhar em uma empresa super bacana esse ano, eu resolvi trabalhar diversificar mais: por que não escrever sobre outros assuntos aos quais eu também me interesso?

Aí, após feriados e finais de semana em frente ao pc, duas histórias deram ótimos resultados.

Fiz minha estreia como a mais nova correspondente brasuca da Women News Network com “BRAZIL: Do deceptive medical birth procedures de-humanize women?“, sobre a violência e abusos que milhões de mulheres enfrentam na hora do parto.

Nem preciso dizer o quão interessante foi escrevê-la, apesar da tristeza que foi descubrir dados e casos. Meu objetivo foi mostrar que existem vários tipos de violência que uma grávida pode sofrer, a começar pela falta de informação oferecida pela equipe médica.

Outro ponto positivo também foi minha estreia como a mais nova colaboradora brasileira para o ótimo Global Voices. Com a ajuda da Sara Moreira, minha editora portuguesa, pude escrever “Brasil: Quantas Vidas Custam as Terras de Guaraní Kaiowá?“,  sobre o genocídio que está acontecendo em pleno século XXI contra a comunidade indígena Guarani Kaiowá. Outra história tão depressiva quanto importante.

Apesar de adorar estar começando coisas novas, eu ainda não sei quais serão os resultados de tudo isso. Mas tenho a sensação de que depois de ligar os pontos, tudo vai fazer sentido. =)

 

Viaje sempre*

Não preciso dizer o quanto amo palavras, né?

Vi esse post no Brain Pickings e achei muito legal. Em vez de só repetir, eu repeti e traduzi o The Holstee Manifesto.

Parece uma mistura de Filtro Solar com Do it, do Lenine. Mas vale a pena ver e ler.

 

Minha tradução:

Esta é sua vida. Faça o que você ama, e com freqüência. Se você não gosta de alguma coisa, mude. Se você não gosta do seu emprego, se demita. Se você não tem tempo suficiente, pare de assistir à TV. Se você está procurando pelo amor da sua vida, pare; eles estarão esperando por você quando você começar a fazer coisas que ama. Pare de analisar demais, todas as emoções são lindas. A vida é simples. Quando comer, aprecie. Cada pedaço. Abra sua mente, braços e coração para novas coisas e pessoas:, nós nos unimos pelas nossas diferenças. Pergunte a próxima pessoa que você encontrar qual é sua paixão, e compartilhe seu maior sonho com ela. Viaje sempre; se perder vai te ajudar a se encontrar. Algumas oportunidades só vêm uma vez, agarre-as. A vida é as pessoas com as quais você encontra, e as coisas que você cria com elas; então vá e comece a criar. A vida é curta. Viva seu sonho e compartilhe sua paixão. 

O original (dá para comprar um cartaz bem bacana aqui):

This is your life. Do what you love, and do it often. If you don’t like something, change it. If you don’t like your job, quit. If you don’t have enough time, stop watching tv. If you are looking for the love of your life, stop; they will be waiting for you when you start doing things you love. Stop over analyzing, all emotions are beautiful. When you eat, appreciate. Every last bite. Life is simple. Open your mind, arms, and heart to new things and people, we are united in our differences. Ask the next person you see what their passion is, share your inspiring dream with them. Travel often; getting lost will help find yourself. Some opportunities only come once, seize them. Life is about the people you meet, and the things you create with them so go out and start creating. Life is short. Live your dream and share your passion.

E como a inspiração bateu, coloquei o texto em português no Wordle. Mira que lindo:

*Meu conselho favorito.

Orgasmos gramaticais

Ontem, após um dia maravilhoso e cansativo de trabalho, cheguei em casa mega tarde e ajudei minha irmã a se preparar para uma prova – o que provavelmente ela está fazendo agora.

Análises morfológicas e de sintaxe. Olha, poucas coisas NA VIDA me dão mais prazer do que fazer análise de orações. Juro. #nerdfeelings ou #foreveralone?

Ensinei a ela tudo sobre as classes gramaticais, relembrei as funções das conjunções e advérbios. Praticamente palestrei sobre sujeitos, verbos transitivos e de ligação, tipos de objeto, predicativo do sujeito….

O melhor era vê-la aprendendo. Ora ela analisava corretamente a oração, classificando-a como VTD. Aí, simplesmente achava que não tinha objeto. Tipo, WTF? hahahah

Ora, ela inventava uma categoria nova de verbo: intransitivo indireto.

O melhor foi relembrar tudo isso e reviver os bons tempos do colegial. Meu querido livro de gramática  – Curso Prático de Gramática, do Ernani Terra – cheio de rabiscos, anotações, está bem a minha frente, na mesa do escritório. Simplesmente tinha esquecido como se dava um predicativo do objeto. Cheguei, abri na página 237 e lembrei. Ufa.

Tem como não amar a língua portuguesa, gente? ♥

Cansei

Cansei de ter rinite. Estou de mau-humor por causa dela.

Essa relação, que nasceu no final do colégio, já dura 5 anos. Nasceu sem eu perceber, se desenvolveu e chegou a um grau de afetar minha rotina profissional.

Já tentei cuidar. Já fui ao médico. Hoje, fico à mercê de anti-histâminicos, que agora ficam ao lado da Neosa, como se fossem remédios inocentes.

O pior? Já li sobre as causas da doença (praticamente sem cura). Aparentemente, ela é uma doença psicossomática, causada pelo excesso de perfeccionismo e da não-aceitação. Aí, eu fico mais puta ainda por que tento ser uma pessoa mais flexível, mas não consigo ver a causa principal da doença.

E vira um ciclo vicioso. Tenho rinite, não se porquê, fico me indagando sobre as possíveis causas, e tenho outras crises.

Já cheguei a ter mais de 2 crises por semana. Isso não é vida.

Tô escrevendo para ver se alivia. Melhor despejar raiva aqui do que em qualquer outro lugar, ou pessoa.

Ufa.

ps: meu mau-humor está ainda pior pq vim de táxi para o trabalho para chegar mais rápido. Paguei 65 fucking reais para descobrir que levo o mesmo tempo se tivesse vindo de metrô.

A Woman’s Right to Shoes

Todo final de série é a mesma coisa. Ó deus, o que farei da vida agora?

Hipérboles à parte, Sex and the City foi realmente boa. Os 90 reais gastos num impulso e aproveitados por cerca de um mês e meio renderam o box com as seis temporadas – e só. Nada de extras, erros, making of.

Feminista que sou, claro que percebi comportamentos e padrões machistas que apareceram em todas as temporadas – se não em quase todos os episódios.

A necessidade intermitente de ter: namorado, roupas, festas, sapatos, sapatos e sapatos.

A obrigação de ser: magra, rica, casada, querida, lida, famosa.

Quando a gente encara e aceita os defeitos, fica mais fácil ver as qualidades. A dinâmica apresentada entre Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda (minha preferida!) é, para mim, o mais bacana da série. Os relacionamentos com homens e as histórias picantes me parecem como detalhes que dão liga ao roteiro; nada disso seria possível sem ter amigas.

E as cenas cotidianas? A-do-ro. As cenas de Carrie Bradshaw lavando calcinhas no banheiro e pendurando no box são impagáveis.

Meu episódio favorito: “A Woman’s Right to Shoes“, da 6ª temporada.

Difícil eleger, mas minha frase favorita: It’s really hard to walk in a single woman’s shoes. That’s why you sometimes need really special shoes.

Idem em relação ao nível de dificuldade, mas esses são meus looks favorite da Carrie:

Quem nunca assistiu a SATC e começou a narrar seu dia como se fosse uma crônica que atire a primeira pedra, viu. Bate uma vontade de começar a escrever e encher o texto de frases clichês bacanas. Quem sabe eu não apareça mais por aqui?

ps 1: não se iludam: o livro que serviu como base para a série é horrível. Li quando estava indo pela 1ª vez a NYC para entrar no clima e… #fail.

ps 2: dá para mostrar várias incoerências da série, mas a mais gritante é: de onde vem tanto dinheiro da Carrie? Como ela pode gastar US$ 400 em um Manolo escrevendo 1 artigo por semana? o The Frenemy postou sobre isso e mostrou a matemática da personagem.

ps 3: sim, eu vi os filmes e acho que, incoerências a parte, também são legais.

ps 4 – SPOILER: em que mundo  alguém iria preferir Big ao Aidan? #peloamor

Morando em família

Já está decidido. E queria deixar bem claro para o universo (oooi Universo!): ano que vem, quero sair de casa e morar sozinha.

Sozinha entende-se sem meus pais, claro.

Vou fazer 24 anos em março, mesmo ano que meu pai se casou com minha mãe e saiu da casa dos meus avós. As situações não poderiam ser mais diferentes, claro, mas dá indícios que eu não estou sendo tão precipitada assim.

Por isso, antes de bancar a ingrata e blá, blá, blá, vou listar aqui os benefícios de morar com minha família. Ano que vem, espero eu, desejo fazer a mesma lista – mas mostrando os benefícios de morar sozinha. As vantagens não são necessariamente nessa ordem, mas são todas importantes. Bora?

- Ter sempre alguém para pegar um copo de água, leite, etc;

- Ter sempre alguém para pegar o xampu quando você já está toda molhada no box e percebe que o pote está vazio;

- Ter alguém para compartilhar os sonhos e pesadelos mais bizarros;

- Pegar roupa emprestada;

- Obrigar suas irmãs a te escutarem sobre como foi seu dia;

- Ver seu pai jogando video-game e fazendo sessão flashback no You Tube;

- Não ter que se preocupar em comprar papel-higiênico, produtos de limpeza e outras coisas que a gente sempre esquece;

- Ter alguém para te acordar para não perder a hora;

- Dormir tranquila sabendo que tem uma galera perto de você;

- Pegar carona com o papai;

- Ter alguém para palpitar sobre sua roupa;

- Ter todas as contas pagas e, finalmente,

- Voltar a ser criança e brincar com minha sobrinha.

Garapa

“Tome sua garapinha, meu filho”.

Garapa = água quente com açúcar. Receita utlizada e ingerida por pelo menos 11 milhões de brasileiros como “antídoto” para a fome.

Faz muito tempo que eu queria assistir ao documentário Garapa, do diretor José Padilha. Desde seu lançamento em 2008/2009, na verdade. Mas só agora chegou às locadoras.

Como abordar a fome, um substantivo tão abstrato e tão real? Como mostrá-la de uma forma objetiva, sem sentimentalismos e sem números?

Quatro famílias cearenses, escolhidas a esmo, servem como retrato preciso de como ela funciona. Não é como se pensa: aquelas crianças africanas esqueléticas e cheias de mosquitos e ramelentas.

Além da questão da fome, fica claro o papel feminino nessa estrututa de miséria. Sem querer criticar os homens, é nítido como as mulheres reagem de maneira mais… forte. Cuidam de 2, 5 ou 10 filhos, na base da garapa e sem ajuda do marido, muitas vezes alcoólico.

Para a galera que não entende como funciona o programa Fome Zero, Bolsa Família e o escambal, e que ainda ofende as pessoas que recebem de “vagabundos”, é um tapa na cara, bem dado.

As pessoas passam fome constantemente. Ou seja: trabalham, vivem e dormem com uma deficiência nutricional enorme. A melhor frase para resumir o que acontece foi dita por um pai de família, jovem:

“Eu nunca, para dizer assim, merendar, almoçar e jantar, nunca na minha vida. Tenho 28 anos e nunca merendei, almocei e jantei”.

É cinema-direto sem música de fundo, sem narração, sem firulas. Seco, literalmente. Talvez eu preferisse ver colorido, mas entendo bem a escolha do PB.

Enfim, mais do que recomendável.  Para quem nunca viu, o doc Ilha da Flores, do Jorge Furtado, vai na mesma linha. Aliás, a equipe de Garapa é a mesma que trabalhou em Estamira, Ônibus 174 e Tropa de Elite. Precisa mais?

No final, é inevitável pensar na relação que a produção e o diretor do filme tiveram com aquelas pessoas. Como José Padilha disse nos extras, eles tinham comida. E aí, #comofaz?

ps: boa entrevista (em inglês) com o Padilha.

ps2:  tive que assistir ao filme com legendas.

Gotta love foreigners

I’ve had and still have the privilege of cohabit with foreigners, not-Brazilian people. Don’t get me wrong: I love Brazilians, since I’m one of them, as well as my whole family and mostly friends. But foreigners have a different view of Brazil, and always provide me interesting insights of human being.

It’s almost funny how I got to know so many of them. I remember dreaming of some day talk and ask lots of questions about their land, costumes and ideas. Now, I can finally share what I found out so far.

In 2009, I lived in Washington, D.C.. Shared an apartment with four American roommates and worked at Voice of America, Portuguese for Africa division. There, among Angolan, Mozambican, Portuguese and even Ethiopian, I met Nelson, a lovely Cape Verdean radio technician. He taught me about Cape Verde and how there are more Cape Verdean people living abroad then in their country; I could listen, for the first time, the Creole, their mother tongue (although the Portuguese is the official language). Now, Cape Verde is on my wish list, aside Mexico, Chile, Peru and so on.

If I thought I had a crush for Latin America, after met Soledad, Dalia, Lali and Valen, I was sure of it. From Chile, Mexico, Argentina and Venezuela (respectively), they showed me how great and connected our history is. We hugged each other every time we met, shared doubts (“Is Brooklyn a city or a neighborhood?”) and helped each other during our internship in USA. Oh, and if I improve my Portuñol, I can put the blame on them.

Talking about Latin America, I have to mention Argentina and Uruguay, specifically. I wish I could write about them in Spanish, pero mis classes de castellano empezaram hace quince días. Entonces, mejor continuar en ingles.

My lovely current job is at an Argentinean company and, as far as I know, I’m the only Brazilian there. My great boss is Uruguayan, despite live most of her life in Buenos Aires. With her accent, I have guaranteed fun every day. In a few months, she learned – on her own – to speak Portuguese, and is impressive how much she knows.

By the way, nothing can make a Brazilian happier than a foreigner speaking Portuguese. Actually, I get delighted to hear my beloved language enriched by different accents. Is kinda seeing the same fabric of every day, but by the reverse side. It’s possible to see details and different colors never seen before.

That’s why I love foreigners, and hope my country keeps open doors to Colombians, Peruvians, Bolivians, Nigerians…

ps: One of the major benefits of meet foreigners is to know the truth of their country. This great video talks about the cliché that French people have to deal. #gottahateclichés

A dor e a delícia de ser mulher

Eu me comprometi com a Action Aid a participar da blogagem coletiva sobre a realidade da mulher, principalmente brasileira.

Eu, uma orgulhosa feminista declarada, poderia descrever a dor que é ser mulher nos tempos de hoje, em São Paulo, no Brasil. Se ser mulher já é difícil, imagina o quanto de preconceito uma mulher feminista sofre.

Por isso, juntei diferentes materiais para me respaldar. Eu sou mais consumidora do que produtora quando se trata de materiais feministas. Minha principal fonte (diária) é o blog da Lola, que escreve, sem pudores, as principais mazelas que o sistema impõe a nós.

  • O que faz uma equipe ser mais inteligente? Mulheres. Não sou eu que estou dizendo, é um estudo de Harvard;
  • Para terminar, nada como um infográfico: os cinco piores países para mulheres no mundo. Note que são os piores, não os únicos.

O Brasil não está listado, talvez porque não chegamos a tal ponto de usar estupro como arma de guerra. Mas, se alguém já sofreu abuso sexual em transportes públicos como eu, vai concordar que não é tão fácil viver aqui também.

 

TED: Salgadinhos para todos

Entrar no site do TED é garantia de procrastinação na certa. Lá, há centenas de palestras com pessoas de todos os lugares do mundo, sobre qualquer assunto. As palestras são curtas, na média de 20 minutos.

Depois do primeiro vídeo, é igual salgadinho: um atrás do outro. Dá vontade de assistir a todos, todo o tempo.

Semana passada, vi Jamie Oliver falando sobre educação alimentar; Madeleine Albright, a primeira mulher a ser secretária de estado nos EUA; Arianna Huffington discursar sobre a importância do sono; Patricia Ryan, professora de inglês nos Emirados Árabes, discursar como a difusão desenfreada da língua inglesa está afetando o compartilhamento de informações no mundo; e bateu aquele orgulho ao ver o compatriota Vik Muniz palestrar sobre criatividade.

Basicamente, o TED tem salgadinhos para todo o gosto.

Seguindo a sugestão de @postsecret (meu blog favorito, de longe), acabei de ver a palestra de Neil Pasricha, que fundou o maravilhoso blog 1000 Awesome Things. Ganhe 17 minutos e aprenda com essa história linda. Vale a pena. A parte sobre o jogador de futebol americano que adorava tricotar então…

TED: Salgadinhos para todos, posted with vodpod

Buenos Aires: 5 de 5

Pela centésima vez: muito difícil julgar um país, uma cidade, em apenas 1 semana – de trabalho, ainda por cima.

Trabalhei em Belgrano e Palermo Soho, bairros da zona norte (e mais rica) de Buenos Aires. Sinto como se eu estivesse julgando São Paulo pela Bela Vista e Vila Madalena, por exemplo.

Enfim. De qualquer forma, seguem fatos que achei interessantes sobre a cidade:

- Plana e organizada, mas com vendedores ambulantes e lixo, Buenos Aires parece ser a mistura perfeita de uma cidade europeia e latinoamericana;

- Os portenhos, de todas as idades, se vestem muito bem. As mulheres não são peruas e nem ficam usando saltos-altos inúteis, como muitas paulistanas. São mais style;

- Falando em moda, muitas mulheres de cabelo longos, quase na bunda; muitos homems de cabelo “comprido” e barba mal-feita (hmmmmm…);

- Em 5 dias e meio, não vi NENHUMA pessoa negra na cidade. Japonês, talvez um ou dois. A falta de diversidade étnica é gritante;

- Como eu já tinha sido avisada, o espanhol deles é diferente. Aliás, o castellano (pronuncia-se catejano) deles. Além do nome da língua, eles têm um forte sotaque italiano e usam expressões como “vos” (segundo pessoa do plural – pronome pessoal do caso reto) como “você”;

- Conheci muitas pessoas que estão estudando português por causa do Brasil; espero que nós, brasileiros, retribuamos estudando espanhol;

- As transações de compra e venda de imóveis são feitas em Dólares – moeda na qual eles confiam mais do que no Peso.

Acho que é isso. Além de ter ido a Buenos Aires e ter sentido o gostinho da cidade, fiquei ainda mais feliz por ter conhecido a matriz da firma e ter trabalhado com uma galera super bacana.

Quando eu voltar, espero escrever sobre o Caminito, Puerto Madero, Microcentro, etc etc etc… Assim como em Washington, D.C. e NYC, sempre há um bom motivo para ir de novo.

Buenos Aires: 4 de 5

Faltam 40 minutos exatos para o táxi vir me pegar e levar ao aeroporto. Entonces, este vai ser um fast-post.

Cinco dias aqui trabalhando e passeando passaram muito rápido. Vou sentir falta do doce de leite a cada esquina, dos meus colegas de trabalho daqui, de passear em uma cidade tão bonita.

O que mais vai dar saudades? Escutar as pessoas falando castellano. Com certeza.

Espero começar minhas aulas nos próximos meses, para que, na próxima vez que eu vier para cá, saiba me comunicar melhor.

Ontem tive um happy hour com a galera da firma e acordei demasiado cansada para bater perna. Arrumei a mala, vim trabalhar, fui fazer (muitas) comprar e cá estou, correndo contra o tempo, de novo.

Mañana, se deus quiser, estarei no Brasil de novo, morrendo de saudades de Buenos Airess.

Buenos Aires: 3 de 5

Não pude escrever ontem, 15, simplesmente porque três taças de vinho me deixaram um tanto quanto tonta. Mas resolvi compensar e coloquei bastante foteeenhos.

Acordei às 6 da manhã para tomar café no Malvón, no bairro cool: Palermo Soho. Detalhe: o Malvón só abre às 9h, então deu para andar bastaaaante pelo bairro. Lindo e charmoso.

Como podem ver, um desayuno simples e light, como sempre.

Cada vez mais imagino como um portenho se sente em São Paulo. Buenos Aires é tão organizada, tão bonita… São Paulo é um caos sem história perto daqui.

Falando em portenhos, a fama de arrogante não faz jus a eles. Super simpáticos e prestativos.

Abaixo, yo, na livraria El Ateneo.

Bancar a turista, trabalhadora e notívaga não tem sido fácil. Mas tem valido à pena. Ontem, depois de dois anos, reecontrei Lali, amiga portenha que conheci em Washington, D.C. Em Belgrano, já perto do bairro Chino, fomos botar o papo em dia numa confusão de línguas: eu, com meu pouco castellano, e ela, com um pouco de português. Lembro que, depois do vinho, eu estava misturando três linguas (inglês também) na conversa.

Hoje, finalmente conheci o Café Tortoni, o café mais antigo da cidade. Meio carinho, mas bem charmoso. Também passei em frente a Casa Rosada, sede da presidência argentina (não tirei foto de nenhum dos dois porque estava com pressa para ir ao trabalho).

Abaixo, uma faixa que encontrei enquanto caminha por Palermo Soho.

 

Hasta mañana!

 

Buenos Aires: 2 de 5

Primeiro passeio sola em Buenos Aires (BsAs): shopping Alto Palermo. Porque eu saio de São Paulo, mas São Paulo não sai de mim.

Shoppping é shopping, né gente? Nada de diferente. O destaque vale para a mais nova maravilha do meu mundo: sorvete de doce de leite do Freddo. Esqueçam tudo o que eu sempre falei da Häagen Dazs. Pirei com aqueles 250 gra, viu?

Trabalhei até tarde, não deu para andar muito. Primeira coisa ruim daqui: o metrô, que eles chamam de Subte, fecha por volta das 22h30. A primeira vez que ouvi, pensei que tinha escutado errado. Quem dera.

Falando em metrô, o Subte merece um subtítulo à parte. Vamos a ele.

—-

Subte

Não tão fedido, mas tão sujo quanto o de Nova York. Sujo, com paredes pichadas e bastante lotado. A malha viária parece ser maior e (bem) mais espalhada do que em São Paulo. Mas, como eu já disse: esse foi meu segundo dia aqui. Posso mudar de opinião num ratito.

—-

Tem sido diferente aproveitar a cidade à noite. Me sinto como uma intrusa, que vê a peça de teatro pelas cochias.

Hoje, por exemplo, eu acho que consegui escapar de um assalto. Percebi um mendigo que estava me seguindo há duas quadras, e parei em frente a um café. Ele também parou, me olhou, viu o café e continuou andando. Depois disso, entrei no primeiro táxi que vi. Fim.

Finalmente, fui conhecer a famosa Recoleta. Às 7 da noite. Sábado à tarde pode ser outra coisa, mas hoje me lembrou muito Higienópolis, mas sem os judeus e sem as subidas/descidas. O cemitério da Recoleta, onde está Evita, estava fechado.

Nada demais. :(

Mas a noite valeu a pena pelo El Ateneo, a livraria mais bonita que vi na minha vida, até então. As instalações eram de um teatro, que, imagino eu, foi reformado e remodelado. Não resisti: comprei dois livros, meus primeiros em castellano.

Mañana promete ser mais agitada.

Buenos Aires: 1 de 5

Antes mesmo de chegar a Buenos Aires, minha primeira sensação foi de extrema felicidade e gratidão por estar dentro de um avião, viajando para outro país. De longe, uma das minhas coisas favoritas na vida. Fiz um selfnote mental de nunca me esquecer desse sentimento e nunca ficar blasé diante de uma oportunidade de viagem, nem que seja para Miami.

Da janela do avião, já perto de Buenos Aires, foi possível ver as cinzas do vulcão chileno Puyehue, que entrou em erupção dia  4 de junho . Dei sorte, já que os vôos têm sido cancelados dia sim, dia não.

Do alto, Buenos Aires é iluminada, grande e organizada. De baixo, ela é linda. Imagino que julgar a cidade em menos de 24 horas e só por Palermo e Belgrano não seja justo; já fiz isso uma vez, mas sempre acho que vale a pena registrar as primeiras impressões.

Eu não falo espanhol e meu portuñol é bem porco. Mesmo assim, consigo entender bem o que todos falam, mas… Minha cabeça teima em responder tudo em inglês. Como uma chave que é ligada, tipo “estou em um país estrangeiro: ligar língua inglesa”! hahaha.

Já na mesma noite, fui a Palermo Hollywood com minha chefe e comemos pizza. “Dormi” super mal à noite: a ansiedade de conhecer a matriz da minha firma, que fica aqui, meu porco portuñol e a euforia de estar na Argentina parecem que não me caíram bem.

Acordei, me troquei, trabalhei e almocei. Nesta tarde fria de lunes, já estou mais calma e pensando em como aproveitar essa cidade linda.

Próximos capítulos amanhã.

ps: incrível como o mundo está moderno, gente! Liguei a TV e vi que Brothers & Sisters e outras séries da Universal e da Sony estão na mesma temporada e capítulo do Brasil. Dormi assistindo a Law & Order: SVU.

Dois livros, 11 meses e 1562 páginas

11 meses para ler cerca de 1290 páginas: essa foi a saga de Os Miseráveis. Já para ler as 272 páginas de Pequena Abelha, levei cerca de cinco dias.

Eu já demorei menos de 24 horas para ler 550 páginas. No caso, Harry Potter e as Relíquias da Morte. Leituras bem similares, como vocês podem perceber.

Ao invés de escrever uma crítica sobre o livro, vou colocar aqui algumas partes dos livros que chamaram a minha atenção.  Cuidado: há spoilers!!!

Os Miseráveis – Volume II

“As pupilas dilatam-se na escuridão e por fim acabam encontrando a claridade, da mesma forma que a alma se dilata no sofrimento e acaba descobrindo Deus”.  ≈ pág. 441

“Nesse dia, chovia, porém; No céu, sempre há um cantinho azul à disposição da felicidade, que os amantes são capazes de ver, mesmop quando o resto da criação se encontra debaixo de um guarda-chuva” ≈ pág. 519

“Não é porque certas coisas desagradam – disse Jean Valjean – que há motivo para sermos injustos com Deus”. ≈ pág. 602.

No dia seguinte ao término da leitura da obra de Victor Hugo, comecei Pequena Abelha, do também europeu, mas inglês Chris Cleave. História linda de morrer. As passagens desta eu coloco aqui em seguida.

- Pequena Abelha

“Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: ‘Eu sobrevivi’”. – pág. 17

“Fomos para uma casa de veraneio na beira da praia e tomávamos rum e limonada, e conversávamos tanto que sequer notei qual era a cor do mar. Sempre que preciso parar e me lembrar de quanto amei Andrew um dia, basta pensar nisso. O fato de o oceano cobrir sete décimos da superfície da terra e ainda assim meu marido ter conseguido me fazer não notar tal coisa. Era a dimensão dele em minha vida”. – pág. 39

“Gostaria de ser uma dessas mulheres que se preocupam intensamente com sapatos e creme corretivo para disfarçar olheiras”. – pág.108

“Nkiruka adorava música, e então vi que ela tinha razão, porque a vida é extremamente curta e não dá para dançar escutando os assuntos da atualidade”. – pág. 140

“Ninguém gosta dos outros, mas todos gostam do U2″. – pág. 141

Lasanha Vegetariana de Presunto

Quinta-feira, hora do almoço. Eu e minha chefinha vamos almoçar em um self service perto da firma, super de boa. Peguei saladinha e tals e qual foi minha surpresa ao ver um prato vegetariano: Lasanha Vegetariana, estava escrito.

Parecia ótima: com queijo e brócolis.

Pesei, deu 12 reais, ótimo. Primeira mordida: mega presunto. Tipo, wtf???

Levantei e fui falar com o gerente. Por que havia presunto na lasanha VEGETARIANA??

Meu maior medo seria que ele pensasse como a maioria: “Aff, mais uma vegetariana chata”.

Nada. Falou com o chef (!!!) e pediu para que fosse me sentar e esperar. Fui.

10 minutos depois, chegou uma TRAVESSA de lasanha vegetariana. Linda e gostosa. Dividi com a chefa e ainda sobrou um monte. Tudo por R$ 12.

#Gottalove o chef. Segundo o gerente, ele saiu do Piauí para estudar na França. De lá, veio direto para sampa cozinhar minha lasanha. :)

Quem canta…

Tinha sido uma das piores semanas do ano. Imagine, então, como eu estava na sexta-feira. Se eu não estava com forças nem para ir embora, quanto mais para ir a um show…

Ingresso comprado há mais de um mês, show esperado por tantos anos… Por que coincidir com uma época tão ruim? Pensei em vender meu ticket ao primeiro cambista da porta. Não apareceu nenhum, então eu entrei assim mesmo.

Uma hora e meia depois de ter chegado ao Citibank Hall e com somente 15 minutos de atraso, os primeiros acordes soaram nos meus ouvidos e ela entrou, sob berros. Depois de tanto sofrimento e dúvida, bastaram 2 minutos para eu sentir uma enorme gratidão a mim mesma por ter ido.

♪… Assim como a dor, que fere o peito, isso vai passar… também…♫

Digam o que quiserem, mas gosto muito das músicas da Sandy. Sempre gostei. Contudo, Manuscrito é um CD que me toca muito, fundo, pessoalmente. Diferentemente de seus antigos discos, ela traz músicas mais autorais, femininas e que falam sobre dor, amor e crescimento pessoal.

♪… Não tem que ser assim! Tanto desencontro, mágoa e dor, pra que que a gente tem que se arriscar?…♫

Valeu a pena ter ido e voltado sozinha, à uma da manhã. Valeu ter cantado, chorado, ter ficado com a garganta doendo ainda no meio do show.

Só me entende quem já lavou a alma cantando, em plena multidão.

Como alguém já disse, “you can’t buy happiness. But you can buy concert tickets, which is kinda the same thing..”

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