Como se diz “Nossa, meu!” em espanhol?

Há 20 dias em Buenos Aires e falando um castellano razoável, ainda há palavras em português que não sei como dizer aqui. O pior é que a maioria delas funciona como interjeição e me ajudam a expressar um sentimento (surpresa, indignação, etc). Já conversei com alguns argentinos que falam português, mas nenhum deu uma tradução certeira.

Minha lista:

1. Nossa (do tipo mais comum: Nossa, que legal!)

2. Legal (idem)

3.

4. Meu (porque eu saio de SP, mas SP não sai de mim)

5. Mano (idem)

6. Galera

7. Adoro (ainda acho que “me encanta” não traduz bem, e a galera não fala muito “yo adoro”, apesar de existir)

8. Chato (às vezes pode ser traduzido como “aburrido” ou “pesado”, mas nem sempre é assim)

9. Aaffff

10. Saudades (eu sei falar “extraño”, “nostalgia” e “hecho de menos”. Mas ainda não é a mesma coisa).

11. Ótimo (porque nem sempre o que é ótimo é “perfecto”)

12. Putz (“carajo” ainda não me sai)

13. (Com e sem) Noção

Imaginem a dificulade para fala uma frase do tipo:

Mano, vc não tem noção. A galera adorou o filme! Meu, juro que eles acharam tudo ótimo, apesar de no final estarem como uma cara tipo: , já acabou? Aafff, nem é tão legal!”.

Obviamente, há palavras óteeemas em castellano que não têm traduções tão boas em português. Mas isso é uma lista para outro post. :)

Joana, mucho gusto

E a sensação se repete: há uma semana morando em Buenos Aires, parece que estou há meses aqui. Quando o trabalho é legal e quando a cidade é linda, a gente se acostuma rapidinho.

Odeio clichês e não vou ficar repetindo o que várias pessoas falam de Buenos Aires em geral: que a cidade é Paris da América Latina, que as pessoas são mais grossas, que os argentinos não gostam de brasileiros.

Tudo mentira.

Em vez disso, vou listar fatos interessantes, com seus prós e contras. Importante: estou aqui há 8 dias. Todas as minhas opiniões podem mudar daqui a pouco tempo.

- A cidade é planejada e toda plana. Então, você pode cruzar grande parte de Buenos Aires estando na mesma avenida, por exemplo. Pró: muito fácil se movimentar, mesmo sendo turista. Contra: tudo é muito parecido.

- Eu nunca fui à Paris ou nenhuma cidade europeia. Mas é muito claro como a arquitetura é baseada no estilo francês do começo do século XX. Pelo menos na zona norte (e mais rica da cidade), a maioria dos prédios são assim, e bem antigos. Pró: a cidade tem um ar clássico, bem bonito. Contra: tudo é muito parecido e velho (no sentido de mal cuidado).

- Sabendo falar castellano e com educação, todo mundo é muito simpático. Aposto que vários turistas devem chegar aqui sem falar nada de castellano e depois saem falando como os porteños são grossos.

- Informação importante: o sotaque dos argentinos e uruguaios é bastante diferente do restante das pessoas que falam espanhol (hispanohablantes). Enquanto em outros países fala-se “paelha” (paella), aqui, fala-se “paeja”.

- Isso vale para meu nome. Como o ípsilon tem som de J aqui, virei Joana. :)

- A comida é ótima, inclusive para mim, vegetariana. Há restaurantes de todos os tipos, de todos os preços. Não faltam frutas: toda esquina tem uma frutaria. Então, gente, antes de falar que só o Brasil tem frutas, pense duas vezes. Argentina não é a Antártica.

- E o mais importante: eu fico com vergonha alheia quando alguém me pergunta se está fazendo frio. A Argentina fica no mesmo hemisfério que o Brasil. O que significa que, apesar de poucas diferenças, estou sofrendo o calor do verão tanto quanto vocês.

- Ao invés de padarias a cada esquina, como em São Paulo, aqui há muitos (muitos mesmo) cafés e confeitarias. Paulistana que sou, ainda não consegui entender como funciona essa coisa de ir a um café e ficar um tempão lá, de boa. Prometo que vou tentar.

- Finalmente, doce de leite: sim, há em todos os lados, em inúmeras sobremesas. Deixo vocês com minha mais nova paixão, um clássico argentino: la chocotorta, feito com doce de leite e chocolinas.

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O Brasil sabe receber imigrantes?

Abaixo, meu segundo post para o Future Challenges. O tema é sobre novas políticas de imigração. Assim, já começo  questionando.

Link para o original em inglês, publicado em 21 de junho de 2012: http://futurechallenges.org/ges-perspectives/does-brazil-know-how-to-receive-immigrants/

Does Brazil know how to receive immigrants?

The following article deals with the topic “Designing Intelligent Labor Migration Policies” which will be discussed at the Global Economic Symposium in Rio this October. The author intends to enrich the discussion at the symposium with her personal stories and ideas.

If you aren’t Brazilian and you come here one day, someone will surely ask you: “What do you think about Brazil? What does your country think about us? Do the people like us?” and other questions along the same lines.

It’s interesting how much we care about others’ opinions. There are articles in newspapers, TV shows and conversations in the street if Brazil is mentioned somewhere. When Barack Obama said that our former president Lula was “the man,” it was carried as a trophy for many weeks.

Why do we care so much? Here’s a short version of many theories about us:

500 years ago, when the Portuguese came, they came to explore the land and take whatever they needed at that time – trees, gold, sugar cane, etc. However, many stayed here for a lifetime, always wanting to go back to Portugal. They lived their entire lives with a simple thought: the best was out there, in Portugal, in France. What was here wasn’t worth it.

This heritage carries over to the 21st century. We grow as a nation, looking for examples from outsiders, feeling that Brazil, Brazilians and everything from here is of lesser value, a product of a third world country.

However, with this heritage, we also learned an interesting way of looking at foreigners: if everything outside Brazil was good, foreigners were even better. And so they came: Spanish, Italians, Japanese, Polish, Germans, Lithuanians, Danish, and so many others. At different times, for different reasons, they came and helped us build this country.

That’s why we love to hear what the world thinks about us. Many people say it’s a “poor man’s syndrome,” always wanting attention. Anyway.

For that and other reasons, we received many people in the 18th and 19th centuries, mostly from Europe and Japan. Their cultures merged with ours, and new generations of Brazilians were born. We don’t have one face; we don’t have one religion; we don’t have just one accent. All of that is because of the immigrants.

Here, I have to say a bit about African people. I’ll write more about them in the next few posts, but their participation in our nation was vital. No country in the world received as many slaves as Brazil. Today, we have the second largest black population in the world, just behind Nigeria, which is actually in Africa.

As with the French, Italians and Spanish, Africans came from outside, spoke another language and had a different culture. So, according to the story I have told, we were supposed to hallow them as we did other foreigners, right?

But we didn’t. And you know this story.

Today, Brazil has a chance finally to build a story of its own. We are once more receiving foreigners. We love to receive them. Apparently, we still maintain an attitude of reverence towards them. Right?

But, guess what: the slavery didn’t end in 1888, as we learned. While we welcome Americans and Europeans, Bolivians and Mozambicans are being arrested before they even step onto Paulista Avenue. They make our clothes and help our cities, but they are treated as slaves – just as African people were treated here before.

Everyone likes to receive the rich uncle in our homes. But when the poor cousin comes for help, it doesn’t go the same way. The Global Economic Symposium will discuss this issue in “Designing Intelligent Labor Migration Policies.” I, as a Brazilian and as a world citizen, am willing to hear what they have to say.

Yesterday, 20th June, was World Refugee Day. For that reason, I’ll leave you with this concluding thought: aren’t we all refugees or descendants of refugees? As the UN says: “The refugees have no choice. You do.” So, what’s your choice today?

Por que as mulheres ainda são ignoradas?

Meu primeiro post da série que fiz para o Future Challenges, sobre o Simpósio Econômico Global 2012.

Nele, falo sobre a ironia de ter mais mulheres no mercado de trabalho e universidades, mas ainda serem a minoria em cargos de chefia.

Originalmente postado aqui em 17 de junho de 2012.

Why are woman still the big elephant in the room?

 

I’m not going to say here that women are still facing the same problems as always. But, also, I don’t want to lie to you and say that now that we can work, study and vote, everything is great.

It’s not.

When there are more women studying, and yet they are not making as much money as men, we can tell: there’s something strange here. And I’m referring not only to Brazil, the country I’ll write from, but also to the whole world.

A bunch of people I know (including fellow women) work in great places. As great places, I say they have their rights as workers respected: they earn their salary every month, they can take paid vacations, and even get health care, maternity leave, etc. Many have women as bosses, and some of my women friends also are bosses.

So, why do I think women are the elephant in the room? Why am I talking about it in the first place?

In October, many people around the world are coming to Rio de Janeiro to discuss global challenges and solutions at the Global Economic Symposium. One of the themes is called Board Diversity and Corporate Governance. How, in a so-called society, can we bring more diversity to corporate boards?

“Elephant” may sound a bit strong here, but sometimes, that’s how it seems. According to the infographic made by Women Who Tech:

- Among individuals holding professional jobs in the U.S., 56% are women

- 55% of Twitter users are women, as are 55% of Facebook users

Now, here it is the ironic part, since the infographic is called “Women rule in tech”:

That’s what I call a big elephant in the room. Women study, women vote, women work, women make decisions, half (or more) of the population in the world are women, they can grow babies inside them (!!!) and, yet, they live in a society ruled by men. Still.

To deny that is hypocrisy, in my opinion. To think it’s OK to have only men as CEOs and women as secretaries is sexism, in my opinion. That’s why, also in my opinion, I’m looking forward to knowing about what solutions the GES 2012 can bring.

Brazil has its first woman as president. I think it’s a great time to talk about women and leadership. Now and then, I used to ask some questions of friends, family and coworkers. I highly encourage you to do the same, wherever you live:

- How many women work in your job?

- How many of them are bosses, if there is one?

- Why? (I always ask why, since the answer always is the same, as you will see…)

To finish this post, I want to leave another thought for you who thinks that there are few women in leadership positions just because they “have” to leave their jobs because of kids and family: who said women have to stay home to do that? Who said that only women can raise kids and take care of a family? Ask a German, man or woman. He or she may answer the same: both of them can do that. That’s why Germany offers to the family a period of 6 months to 3 years (only the first year is paid) for maternity leave, which can be split between both of the parents.

Só 24 horas em São Paulo? Minhas dicas

Uma porteña de 19 anos veio pela primeira vez ao Brasil dia 3 de julho. Também foi a primeira vez que saiu da Argentina, e veio parar aqui, em sumpaulo.

Apesar de ter vindo especialmente para a final da Libertadores entre Corinthians e Boca, Agustina queria aproveitar seu tempo aqui. Eu, como ~ótima~ anfitriã, fiz um percurso bacana com ela.

Se você tem pouco tempo na capital, ou quer fazer passeios clássicos em poucas horas, essas são minhas dicas, respectivamente:

1. Não importa de onde você venha: use a linha Amarela do metrô (todo muderrna) e desça na estação República. Na Praça da República, você já tem a vista de edifícios antigos e históricos, como o Copan, Terraço Itália e  Caetano de Campos. Além da própria praça, obviamente.

2. Entre em qualquer travessa da Av. Ipiranga, como a 7 de Abril ou Barão de Itapetininga. Aprecie o centro, com todas as suas feiúras, detalhes e bagunças. Eu adoooro aquela balbúrdia :)

3. Se você fez o caminho reto, vai quase dar de cara no Theatro Municipal, aquele lindo (entre e coma alguma coisa no café do theatro. Nem que seja só um café). Ele deve estar a sua esquerda. A sua frente, estará o Viaduto do Chá. A sua direita, o shopping Light.

4. Siga reto pela ponte. Você deve passar em frente à Prefeitura de São Paulo e a Praça do Patriarca. Agora, outra beleza do centro: embarque em qualquer ruela por ali. São parecidas a olhos desconhecidos, mas oferecem uma diversão ímpar.

5. Nessa diversão, passe pelo Largo do Café. Antes de sair na rua Boa Vista, suba no edifício Altino Arantes, vulgo prédio do Banespa, a aprecie a vista da maior cidade da América do Sul.

6. Saia na rua Boa Vista, desça a Ladeira Porto Geral. Se você gosta de bagunça, gente, compras e vendedores piadistas, bem-vind@ à rua 25 de março. Divirta-se!

7. Siga a 25 quase até o final. Vire à direita na Afonso Kherkalian, cruze a Barão de Duprat e vòila: você estará em frente ao Mercado Municipal.

8. Mais do que pastel de bacalhau ou sanduíche de mortadela, prove as frutas que estão lá. Juro que essa opinião não tem nada a ver com o fato de essa que vos escreve ser vegetariana.

9. Vá até o metrô mais próximo e desça na estação Consolação ou Paulista. Tome um café no Café Viena da Livraria Cultura e vá passear pela Avenida Paulista.

10. Desça a Brigadeiro Luís Antonio até encontrar uma estátua enorme e um monte de verde, vulgo o Parque do Ibirapuera.

10. Saia de lá e volte para sua casa / holtel / apartamento da vizinha. Tome um banho e tire um cochilo. Sério: você vai precisar.

11. Dirija-se ao quadrilátero Aspicuelta / Wisard / Harmonia / Girassol. Essa é a Vila Madalena. Escolha um bar e tome uma caipirinha.

12. Lá pelas 23h, caminhe até a Cardeal Arcoverde com a Horácio Lane. Em frente a um cemitério, está uma das baladeeenhas mais divertidas de São Paulo: Ó do Borogodó. Baratinho para entrar, samba de primeira e gente bacanuda. Puxe alguém para dançar e tome outra caipirinha.

13. Às 4 da manhã você estará livre.

Foi isso o que eu fiz dia 4, com um detalhe a mais: entre o centro e a Vila Madalena, fui trabalhar. Só para entrar no ritmo de São Paulo :)

Do feminismo à imigração

Em uma palestra do TED, Sheryl Sandberg, COO do Facebook, conta como foi embaraçoso perceber que um grande executivo de um mega escritório em Nova York não sabia onde ficava o banheiro feminino. Por quê? Porque  nenhuma mulher, até Sheryl, tinha participado de uma reunião na “presidência”.

Sheryl Sandberg, COO de Facebook

Todo mundo sempre escuta a história que o Brasil adora estrangeiros, que nosso povo é miscigenado, etc. Adoramos pensar em como recebemos os japoneses, italianos, alemães, etc. Mas e os africanos e os bolivianos? Eles também são estrangeiros e continuam vindo para cá. Será que o tratamento é igual?

Imigração e feminismo são, hoje, meus assuntos preferidos. São globais, atingem todos os países, povos e culturas. Sempre há injustiça contra mulheres, pessoas chegando, pessoas saindo. Simples assim.

Por isso e outros fatos, este mês comecei a escrever no blog do Future Challenges. A ideia do blog é buenísima: cobrir alguns temas que serão tratados no Simpósio Econômico Global, que acontecerá no Rio, em outubro.

Além de mim, há outros blogueiros talentosos escrevendo sobre outros temas. Eu vou cobrir as mesas de “Implementando Diversidade” e “Políticas Inteligentes de Migração“.

Meus dois primeiros posts já estão lá. Um questiona a pouca quantidade de mulheres em poderes executivos e o outro fala sobre como o Brasil recebe imigrantes. Ah, são todos em inglês.

O projeto de blogagem coletiva é muito bacana. Além de escrevermos sobre uma grande variedade de assuntos (e, ao mesmo tempo, específicos), temos total liberdade de expressão.

Dê uma olhada. Conheça. Eu sei que em tempos pós Rio + 20 dá uma bodeada ler sobre “soluções para o mundo”. Mas me parece que o Simpósio traz justamente isso: soluções práticas e criadas pelo mundo, para o mundo. :)

Como dizer não?

Letícia, minha sobrinha, tem 5 anos. Eu amo encher o saco conversar com ela. A-mo. Ela pode falar sobre tudo: o lanche da escola, do chato do Menezes que fica batendo nela, de como ela adora ver House e sobre meu sabonete novo de pitanga.

Essa é a Letícia “legal”. Quando ela interaje, responde, conversa. Às vezes, ela está com a pá virada e simplesmente me ignora. Eu puxo assunto, falo sobre os Backyardigans, até ofereço bala. Ela olha para mim e não responde. Ou fala: Não.

Taí uma coisa que eu queria aprender: a falar não. Com 5 anos, ela já respeita sua própria vontade e faz o que quer, conversa quando quer e sabe o que quer.

Eu tenho 24 e ainda não sei fazer isso. Dói na alma falar não para os outros. Sim é a resposta padrão, sempre. Às vezes aparece um “talvez” ou “hmmmm”. Não? Nunca.

Além da Lê, três outras fontes me fizeram pensar bastante sobre o não nas últimas semanas: Maria Rita, Ellen DeGeneres e Jane Fonda.

Maria Rita:

Ellen DeGeneres, no minuto 6’51”: “Eu também decidi a me livrar da necessidade de aprovação. Existe um forte vício da necessidade de aprovação, né? Na verdade, estou usando adesivo agora. Ele libera pequenas doses de aprovação, até eu saber que estou bem”.

Jane Fonda (no minuto 39’38′)’: “Você pode dizer não. E, se alguém não gostar de você por causa disso, essa pessoa não seria sua amiga de qualquer jeito. Você não precisa ser perfeita”

Também ouvi alguém dizendo algo do tipo: Você pode dizer não. A vida não é um concurso de popularidade.

Agora eu sei disso. Como diz o papai, tenho a consciência sobre tais fatos. Só falta a conscientização.

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