
Eu (de camisola branca!!) e minha irmã, Yasmin

O Felipe, há muuuuito tempo atrás, fez um cordial convite para eu escrever sobre um causo de minha infância. Felizmente, tenho vários – brinquei muito com minhas irmãs, primas, amigas… Pensei em algo no Colégio, onde estudei por quase 12 anos, ou com minhas amigas, que me acompanham até hoje, mas escolhi uma com minha irmã: companheira de váááárias aventuras.
Pois bem. Em um belo dia de Maio, em 1995, estávamos eu e a Yasmin em casa, cantando, brincando e nem aí para vida. Eu, com 7 anos, e ela com 6. Já eram mais de 11 horas da manhã, e a perua da escola passava meio-dia. A empregada gritava desesperada, em vão, para nos trocarmos, almoçarmos, pois não haveria tempo.
E não houve. Perdemos a perua, e não fomos à escola – porque ficamos brincando. Como explicar isso a meus pais?? Liguei para Rose, minha mãedrasta (que me conhece desde os 3 anos), e contei tudo a ela. Super-hiper-mega brava, ela respondeu: “vocês vão ver quando chegar em casa”, o que quer dizer: boas palmadas estavam por vir.
Para fugir dessa situação, eu e minha irmã pensamos o óbvio: fugir de casa!!! Mas o engraçado da história foi preparar essa fuga (calma, que realmente aconteceu). Colocamos uma roupa qualquer, vestimos um roupão por cima (?), pegamos nossa bolsa da natação e “enchemos” de suprimentos: uma maçã e uma cebola. Super úteis, não?
E lá fomos nós. Enquanto a empregada estava na cozinha, aproveitamos e saímos, simples como devia ser. Lembrem-se: não havia celular, e não avisamos ninguém sobre o que ia acontecer. Para falar a verdade, nós nem havíamos planejado o que nós iríamos fazer – o mais importante era fugir.
Imagine a cena: duas crianças, sozinhas, vestidas com roupões rosa e com duas bolsas contendo uma maçã e uma cebola – e sem ter aonde ir. O bairro, lugar que moro até hoje, é bastante tranqüilo, e praticamente metade da minha família mora aqui. Andamos a tarde inteira, realmente correndo perigo, mas ao mesmo tempo achando o máximo.
Fomos parar numa parte mais chic, cheia de mansões e pracinhas legais. Lá mesmo, um fusquinha ficava girando em torno de uma rotatória. Uma volta, duas voltas, três voltas… Depois de dezenas delas, o veículo veio até nós. No volante, uma mulher e, ao seu lado, um senhor – talvez seu pai. Conversaram com a gente, e após minhas indicações, me levaram até uma de minhas avós (que ficava na rua ao lado! rsrsrs).
Para encurtar a história, no fim do dia todos estavam desesperados atrás de nós. Chegamos em casa sujas e cansadas. À noite, meu pai foi conversar conosco, e ali foi a primeira vez que o vi chorar.
A história tem um quê de triste e perigosa, mas, no fim, atingi meu objetivo: nada de palmadas!!!

Lindinha, não?