Arquivo para Novembro, 2008

Bispo Steve Jobs

Lembram da Bispa Sônia Hernandez? Nada contra os adeptos da Igreja Renascer, o ponto em questão é mesmo a bispa. Lembro de reportagens a respeito do diário dela, e como havia agradecimentos a Deus a respeito de todas as suas conquistas: casas em Miami, milhões de dólares, carros, iates… Coisa pouca.

Pois bem. Há e houve muitas críticas sobre ela, mas a sociedade na qual vivemos reverencia justamente esse tipo de atitude: o sucesso só pode ser mensurado a partir dos bens ou da profissão. Um belo exemplo disso são as pesquisas de opinião, que utilizam critérios dúbios para avaliar a classe econômica de alguém: não adianta uma pessoa ter mihões na conta corrente ou na poupança. Se ela não tiver uma geladeira separada de freezer, uma tv, rádio (?), aspirador, computador, curso superior… Enfim, se um “milionário” não tiver nada disso, é tachado como Classe C. Afinal, o que importa é o consumo, não é mesmo?

Escrevi tudo isso para introduzir o vídeo do Steve Jobs, logo aí embaixo. Em seus 14 minutos, há muita coisa a ser valorizada, mas sempre sob a ótica do materialismo (não só americano) atual.

Vale a pena ver.

O filme que mudou a minha vida

Se dizem que toda mulher tem um pouco de Amélia, eu posso dizer que sou toda Amélia. Na verdadade mesmo, Amélie.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (FRA, 2001) mudou minha vida, renovou minhas esperanças, instigou mais sonhos e vontades. Para quem não assistiu, não há uma só definição a ele – romance? drama? comédia? cult? – e por isso mesmo é encantandor. Afinal, qual vida poderia ser definida em uma só palavra? Simplesmente assistam!

……………………………SPOILERS …………………………

As poucas mas intensas cenas de romance do filme me fizeram chorar muito… Foram lágrimas contidas há anos, de quem estava quase sem esperança. Para mim, o melhor diálogo foi entre Nino, sonolento, e o retrato. Nino pergunta a ele(s) se conhece Amélie, e obtém a magnífica resposta: “claro que sim, de seus sonhos!”

Pode ser utopia minha imaginar isso, mas não seria lindo imaginar que, na verdade, você já conhece o amor de sua vida há anos, pelos seus sonhos? Amélie ainda tem o encanto de se mostrar amável do jeitinho que é, com todas suas manias. E mostra que o amor deve ser exatamente assim: perfeito como nos sonhos, e amando as imperfeições na realidade!

Estou com mais fôlego para minha (espero que não muito longa) caminhada!

Coisa de criança: Perdidas no bairro

Eu (de camisola branca!!) e minha irmã, Yasmin

Eu (de camisola branca!!) e minha irmã, Yasmin

coisadecrianca_thumb

O Felipe, há muuuuito tempo atrás, fez um cordial convite para eu escrever sobre um causo de minha infância. Felizmente, tenho vários – brinquei muito com minhas irmãs, primas, amigas… Pensei em algo no Colégio, onde estudei por quase 12 anos, ou com minhas amigas, que me acompanham até hoje, mas escolhi uma com minha irmã: companheira de váááárias aventuras.

Pois bem. Em um belo dia de Maio, em 1995, estávamos eu e a Yasmin em casa, cantando, brincando e nem aí para vida. Eu, com 7 anos, e ela com 6. Já eram mais de 11 horas da manhã, e a perua da escola passava meio-dia. A empregada gritava desesperada, em vão, para nos trocarmos, almoçarmos, pois não haveria tempo.

E não houve. Perdemos a perua, e não fomos à escola – porque ficamos brincando. Como explicar isso a meus pais?? Liguei para Rose, minha mãedrasta (que me conhece desde os 3 anos), e contei tudo a ela. Super-hiper-mega brava, ela respondeu: “vocês vão ver quando chegar em casa”, o que quer dizer: boas palmadas estavam por vir.

Para fugir dessa situação, eu e minha irmã pensamos o óbvio: fugir de casa!!! Mas o engraçado da história foi preparar essa fuga (calma, que realmente aconteceu). Colocamos uma roupa qualquer, vestimos um roupão por cima (?), pegamos nossa bolsa da natação e “enchemos” de suprimentos: uma maçã e uma cebola. Super úteis, não?

E lá fomos nós. Enquanto a empregada estava na cozinha, aproveitamos e saímos, simples como devia ser. Lembrem-se: não havia celular, e não avisamos ninguém sobre o que ia acontecer. Para falar a verdade, nós nem havíamos planejado o que nós iríamos fazer – o mais importante era fugir.

Imagine a cena: duas crianças, sozinhas, vestidas com roupões rosa e com duas bolsas contendo uma maçã e uma cebola – e sem ter aonde ir. O bairro, lugar que moro até hoje, é bastante tranqüilo, e praticamente metade da minha família mora aqui. Andamos a tarde inteira, realmente correndo perigo, mas ao mesmo tempo achando o máximo.

Fomos parar numa parte mais chic, cheia de mansões e pracinhas legais. Lá mesmo, um fusquinha ficava girando em torno de uma rotatória. Uma volta, duas voltas, três voltas… Depois de dezenas delas, o veículo veio até nós. No volante, uma mulher e, ao seu lado, um senhor – talvez seu pai. Conversaram com a gente, e após minhas indicações, me levaram até uma de minhas avós (que ficava na rua ao lado! rsrsrs).

Para encurtar a história, no fim do dia todos estavam desesperados atrás de nós. Chegamos em casa sujas e cansadas. À noite, meu pai foi conversar conosco, e ali foi a primeira vez que o vi chorar.

A história tem um quê de triste e perigosa, mas, no fim, atingi meu objetivo: nada de palmadas!!!

eu-na-bacia

Lindinha, não?

Obama’s Day

Fiquei muito mais empolgada com as eleições dos Estados Unidos do que com as do Brasil.  Sinto um tantinho de culpa por isso, mas acho que eu (e milhares de pessoas também) entramos nessa onda da Obamania. Minhas opiniões sobre ele não são muito diferentes das que aparecem por aí. Mesmo assim, ainda acho que vale um post.

Perguntei a uma amiga, que morou um ano nos EUA, o que ela achava de toda essa história. “Fiquei assustada, Yo”, ela respondeu. “É muita esperança num homem só, e ele é apenas humano”.  Pura verdade. Bush foi tão ruim, tão perverso, que qualquer pessoa que o procedesse teria grandes chances de ser melhor. Ainda por cima, chega Obama, cheio de charme, simpatia. Sua raça, apesar da mídia colocá-la em destaque a todo momento, ficava ofuscada por seus discursos – que nem diziam tanta coisa assim.

Muito me disseram que McCain teria sido melhor para o Brasil. Melhor porque não é tão protecionista, defende uma economia mais aberta, globalizada. Mas isso não é justamente o que reclamamos dos estadunidenses? Que eles ficam se metendo em tudo, e que essa história de globalização é, na verdade, uma “americanização”?

Torço para que Obama seja protecionista mesmo. Que saiba cuidar de seu povo, que por mais que não pareça, também sofre, também sente fome. Que o mundo aprenda com essa crise, e que os países imperialistas – e incluo o Brasil nesse grupo – olhem mais para seu próprio umbigo.

Eu e minha procrastinação

Não vou pagar de metida aqui e dizer que já sou íntima dessa palavra. Na verdade, ela sempre esteve presente em minha vida, eu é que não percebia sua existência. Costumava chamá-la erroneamente de preguiça, até que depois de 20 anos, ela resolve se apresentar.

Um vídeo no You Tube, um press release e uma matéria na Super (coloquei o link de onde achei o texto na íntegra). Todos tinham como principal assunto a procrastinação. Para resumir o que eu entendi, trata-se do mal de adiar as coisas que devem ser feitas. Sabe aquela frase “ah, daqui a pouco eu faço, daqui a pouco eu começo”? Que também podem variar para: “vai dar tempo! eu consigo!”. Pois é. Isso mesmo que você pensou.

Para ilustrar meu texto, posso até usar a metalinguagem: na verdade, esse post começou a ser escrito no sábado, 01. Parei duas vezes no meio, sem motivo nenhum, a não ser, claro, procrastinar. O que me deixa feliz são as pesquisas que indicam que pessoas que adiam tarefas são, em geral, inteligentes, e não preguiçosas. Talvez eu só concorde com essa idéia para aliviar minha culpa, mas na verdade sempre me senti uma gênia! hehehe

Claro que procrastinar é uma arte, e com os anos dá para se tornar um expert. Por exemplo: você tem que fazer uma pesquisa sobre as eleições nos EUA. Vê uma foto do Obama com a Oprah e tenta entender por que os famosos de lá se engajam tanto. Clica na matéria, vê mais famosos e lembra da última fofoca sobre o casal Jolie-Pitt. Clica na fofoca, que leva a outro link sobre fotos do casal. Falando casal, como será que está a Luana Piovani?

Pronto… lá se foi a pesquisa sobre as eleições.

Para terminar, lembre-se sempre: para que fazer hoje se dá para fazer amanhã?