Arquivo para Dezembro, 2008

2009: Here Comes the Sun!!!

Não: eu não consegui realizar tudo o que tinha planejado para 2008. Também pensei em mil coisas para escrever no último dia do ano, mas a inspiração não veio e sempre há tanto o que se falar…

De forma resumida, sobrevivi. Sobrevivi a momentos de solidão e fúria, e vivi (muito) instantes de felicidade eterna. E, aqui estou eu, inteira e pronta para mais um ano. Ano no qual pretendo plantar mais sementes, o que venho fazendo há um tempo, e colher frutos, espero que doces.

A música Here Comes the Sun, de Nina Simone, exemplifica, para mim, a chegada de 2009.

Feliz Ano Novo.

My first post

That was the last time I saw the Brazilian sky – the last time in the next semester. The butterflies in my stomach insisted on to fly, and I stayed anxious on the flight. I left São Paulo, south-east of Brazil, and now I am in the capital of United States of America: Washington D.C. Here, over the next semester, I’ll participate of academic seminars and internship, everything related to my field of study: Journalism and Communication.

Bye Bye Brazil - see you in May!

Bye Bye Brazil - see you in May!

I was student of a university in my country, and I arrived here thanks to The Washington Center, that provides academic seminars and internships. Here, I intend to get more professional knowledge – and why not personal knowledge? – to apply in my life. To live with people that I’ve never seen, with different cultures, will be very good, I’m sure!

In this blog, I’m going to write about my permanence in this city, my studies and my internship. I hope to change experiences with other students, add knowledge to my profession and get back to Brazil with a full luggage – full of stories to tell!!!

A beautiful image of Washington D.C.

A beautiful image of Washington D.C.

Ares de Natal

merry_christmasSempre gostei de Natal, e acho que sempre vou gostar. Sendo uma festa, acho também que os preparativos são sempre mais legais que a noite em si, que passa sempre muito rápido…

Hoje mesmo, noite de véspera, está sendo do jeito que sempre foi: simples, mas cheia de detalhes que encantam. Gosto de observar como o dia 24 finge-se de dia normal; como as pessoas saem de casa, até trabalham fingindo ser um tempo normal; à noite, pelo menos na minha família, todos tomam banho, colocam um pijama ou outra roupa mais leve, e até tiram um cochilo, que perdura até umas 21h ou 22h. Mas os cheiros insistentes de rabanada frita da minha avó e do pernil que meu pai tanto gosta denunciam: hoje não é um dia normal. E aí, a correria começa: trocam-se as comidas para tigelas mais bonitas; as roupas são escolhidas a dedos, e ficamos todos ansiosos esperando a bendita meia noite.

Olho pela minha janela, à altura de 18 andares, e consigo perceber uma São Paulo mais festiva, mais sorridente. As luzes brigam com o cair da noite, numa luta que dura até o amanhecer… Pena que o Natal e sua véspera só duram algumas horas..

5 submarinos e 50 helicópteros: Por quê????

Ultimamente, ando descobrindo um Brasil que pensei não existir. Se eu critico todas as políticas imperialistas dos Estados Unidos, meu país não tem feito coisas tão diferentes assim. Aquela nação alegre, verde-e-amarela é, na verdade, uma cria do capitalismo atual.

Entre outros motivos, Nicolas Sarkozy está aqui para anunciar o acordo militar entre as duas nações: a construção de 5 submarinos e 50 helicópteros. Eu só li a Folha de S. Paulo e assisti à Globo, mas não achei o porquê desse acordo… Para combater quem? Lula disse que o Brasil precisa defender-se, já que tem a Amazônia e essa reserva de petróleo. Mas, poxa, gastar quase 7 bilhões de reais em armamento militar? Precisa tanto assim? Esse dinheiro não seria melhor investido em educação, o eterno ponto fraco nacional?

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que esse acordo trará mais conhecimento tecnológico ao Brasil, além de gerar empregos, já que tudo será construído por aqui. Gente, é só pensar… Tudo isso poderia ser gerado se a mesma grana fosse gasta de forma pacífica.

Ou seja: vou (tentar) parar de falar mal dos outros e prestar mais atenção no meu quintal.

Convite aceito

O Felipe fez um convite para mim: eu deveria pegar o livro mais próximo, abrir na página 161 e postar aqui a 5ª frase completa. Pois bem: o mais próximo era o “1968 – O Que Fizemos de Nós”, do Zuenir Ventura. Eis a oração:

Ex-correligionário de Lula, Gabeira é hoje um de seus mais duros críticos – para ele, foi uma crueldade histórica a eleição do candidato do PT.

Amoooo o Gabeira!!!! rsrsrs

Bye Bye Brasil – Eu vou a Washington D.C.

Pronto, esse era o segredo do post abaixo. Tive que esperar e contar para algumas pessoas antes de tornar isso público, mas, enfim, é isso.

Vou esclarecer tudo. Sempre tive como um dos meus objetivos estudar fora. Eu não sabia nem quando, nem como faria isso, já que não tenho um tostão furado.  Mesmo assim, achei importante colocar isso como meta, para não perder o foco. E assim foi feito.

Um dia, em um dos elevadores do prédio onde eu estudo lá no Mackenzie, estava um papelzinho pequeno, com jeito de que tinha sido rasgado nas laterais. Informava que havia bolsas para universitários da América do Sul para estudar em Washington D.C, durante quatro meses. Fui atrás, mas infelizmente o TOEFL era necessário, assim como a maioria das oportunidades lá fora exigem.

Larguei mão, e durante um tempo deixei isso de lado.  Um mês depois, resolvi me dedicar mais a isso e tentar ler quaisquer entrelinhas ou notas de rodapé para ver se havia a chance de eu conseguir. Liguei para os States, conversei com uma mulher super simpática (e que falava baixíssimo) e expliquei meu caso a ela, contando que poderia enviar todos os milhões de documentos requeridos, menos a nota do TOEFL, já que eu não tinha. Ela respondeu para eu enviar o que tinha em mãos, e que meu caso seria analisado.

O duro é que comecei a correr atrás de tudo isso a uma semana do prazo final para entrega de documentos. E como desgraça pouca é bobagem, era a semana de provas e trabalhos. Fiquei noites durmindo de 2 a 3 horas, estudando e arrumando tudo para enviar o mais rápido possível.

Formulário preenchido, três cartas de recomendação de professoras, três textos de próprio punho escritos em inglês mostrando as minhas reais intenções, comprovante de matrícula na Universidade, média de todas as minhas notas, certificado de conclusão do inglês, e com certeza mais alguma coisa que eu tenha esquecido: tudo isso precisou ter sido traduzido por uma profissional (ai meu bolso!) de um dia para o outro. E uma semana e meia depois, com olheiras mais fundas que as do William Waack, mandei boa parte dos papéis por email (santa tecnologia!!!!), e o resto por correio mesmo (R$ 50 só de postagem, é mole?).

Dia 3 de dezembro (acho que nunca vou esquecer essa data), ela me ligou, fez três perguntas para comprovar minha proficiência em inglês e voilá: “And if I tell you that you got this scolarship?”. Chorei igual a uma bebê!!!!!!! (Aliás, posso me achar um pouquinho? Eram somente 6 bolsas para toda a América Latina – e a garota aqui conseguiu uma delas! ;)!!)

Portanto, de 28 de Janeiro a 25 de Maio, estarei infiltrada na terra mór do capitalismo atual, mas bem feliz, diga-se de passagem.  A instituição em questão chama-se The Washington Center, e ela faz o intermédio entre empresas e unversitários e também fornece cursos sobre várias áreas. Vou estagiar 4 dias por semana e ter uma aula por semana, relacionada a comunicação de massa e broadcasting.

Vou morar com outras estudantes, em apartamentos destinados a isso. Vou também receber um salário para custear minhas peripécias na cidade.

Diante disso, vou ter que postegar a conclusão da faculdade – mas esses 4 meses, tenho certeza, serão muito proveitosos.

Ainda falta um tempinho para eu ir, mas vou continuar postando a cada novidade.

XoXo,

Ms. De Andrade! ;)

A verdade deve ser dita

Fora as críticas de sempre, a Globo merece meus parabéns pela maravilhosa minissérie Capitu. Eles inovaram, e conseguiram traduzir um pouco da magia machadiana para a TV. Abaixo, segue o clip da música que embala Bentinho e Capitu: Elephant Gun, do Beirut (infelizmente, já soube que a banda não existe mais).

Hipocrisia na Vejinhha

Na edição desta semana (nº 49), a Veja São Paulo publicou duas “matérias” que chamaram a minha atenção. Uma delas merece elogios, apesar de ser hipócrita. Trata-se da reportagem intitulada “Dou you speak Portuguese?”, da página 40. Nela, há inúmeras críticas a estabelecimentos situados aqui em São Paulo que usam a língua inglesa para informar sobre promoções, homenagens e até mesmo para dizer um simples “Não fume” (No smoking). Realmente, essa situação é rídicula – se o português, que é uma língua tão bela, é a oficial, por que não usá-la?

A outra trata-se de uma nota sobre as fofocas que rondam o casamento de Donata Meirelles e Nizan Guanaes (“Oi Dô! É verdade que você se separou?”), na página 27. Com direito a foto, a notinha trata PURA e SOMENTE das pessoas que ligam para  a socialite para saber se é verdade que ela se separou. Só isso, mais nada. E aí eu me pergunto: kiko????? Quem é Donata Meirelles e o que minha vida de proletariada tem a ver com a dela? Qual a importância pública disso?

O ponto contraditório entre essas duas reportagens tem uma palavra em comum: ELITISMO. A revista sempre dá voz a uma classe social, simplesmente ignorando os outros milhões de habitantes da cidade (isso pode ser percebido até mesmo nos restaurantes presentes na parte de críticas). Diante disso, como pode ter a cara-de-pau de criticar estabelecimentos de usar o inglês? As formas de demonstrar preferência pela classe A são distintas, mas o fato é que o comportamento é o mesmo.

Filme de sábado

pcn_perfume_poster

Até poucos anos atrás, não entendia por que existia a categoria de “Melhor Fotografia” no Oscar. O meu limitado conhecimento não entendia que, para fotografar algo, ela não precisa estar parada.

Ainda não evoluí muito no assunto, mas indico o longa “Perfume: A História de um Assassino“. Na minha opinião, cada cena poderia ser enquadrada, literalmente.

Peculariedades do centro de São Paulo

De azul ele pintava as escadas e o corrimão. O pintor era jeitoso, e fazia seu ofício com cautela. Mas se o metrô República, pertencente à linha amarela, vai ficar pronto daqui a algum tempo (assim esperamos), por que pintar aquela construção de madeira, que será destruída logo após o término da obra?

Na Sé, aqueles homens mais pareciam abutres do que vendedores-de-fotos-três-por-quatro. Pouca coisa me deixa irritada, mas eles ficam em cima de nós: “e aí mocinha, três por quatro é aqui!”, ou “morena, se quiser foto, é só vir comigo” – como se a morena aqui tivesse coragem  de acompanhar um estranho até um beco para triviais fotos. Graças a Deus, o Poupatempo é até que bastante organizado – bastou um pouquinho de paciência e logo já tive tudo o que eu queria lá dentro mesmo.

Eu não sei como elas sobrevivem, e também não sei se alguém acredita, mas faça chuva ou sol, as ciganas do Anhangabaú insistem em “profetizar”.  Basta um olhar, e elas te puxam e seguem, até um sonoro e definitivo não. De uma certa forma, elas lembram os caras que ficam em frente ao Poupatempo da Sé – só que usam vestidos amarelos com havaianas coloridas.

Mesmo com o permanente fedor do centro, foi muito proveitosa minha peregrinação por lá. Observar já com olhos de estrangeira o funcionamento da cidade serviu para, de alguma forma, eu gostar mais dela. E sentir mais falta.

My Happiest Day Ever!

“And… If I tell you that YOU got this scolarship???”

E com essa curta frase, deu-se início a talvez maior sensação de felicidade que eu já tive na minha vida.  Eu ainda não posso contar muita coisa, mas em breve esse blog será postado, humm.., de outro lugar.

Só quis deixar registrado essa data: o dia mais feliz da minha vida. E declarar que sonhos podem sim ser realizados – a base de muito suor, esforço e noites sem dormir. Mas nada poderia ter acontecido sem ajuda de Deus – o cara que realmente fez tudo isso acontecer.

Desejos

Eu ainda quero terminar aquele livro, conhecer a Torre Eiffel, comer flor de sal, durmir sem ter hora para acordar. Quero andar sem medo pela minha cidade, correr sem temer dor nos joelhos, aprender a dirigir.

Não quero morrer sem ter deixado um legado, nem que seja uma receita de bolo. Cheirar flor de laranjeira. Aprender a cuidar do meu cabelo. Ter certeza de quem eu sou.

Quero morrer sabendo que não fugi de meus princípios, mas com a certeza de que fui um ser-humano flexível. Quero saber onde fica o mundo das tampas de caneta – tenho certeza que existe um só para elas.

Saber quem é Herbert Richards. Ou o segredo sobre o poder da música sobre mim, em como me acalma. Para sempre lembrar da voz do meu pai me chamando de princesa, e das risadas de minhas irmãs. Ah, ainda quero ouvir o barulhinho que o sol faz ao encontrar com o mar, às seis da tarde. Aprender a falar  francês. Quero sentir mais calafrios – e que não sejam de frio.

Quero que muitas coisas aconteçam antes de eu morrer. Mas se nada der certo, juro que esqueço e tudo e aprendo a voar, como nosso amigo aí de baixo.

Uma mancha na multidão

Eu estava ouvindo uma das minhas músicas favoritas do momento, pensando na vida, nos meus projetos para o futuro, no calor horrendo e em como eu queria chegar logo em casa. Justo nesse momento, nesta quinta-feira que insiste em permanecer na minha mente, eu vi uma mulher.

Ali, no terminal de ônibus, é muito comum os mendigos durmirem, comerem, viverem… Mas quando a vi, demorei a perceber que era moradora de rua. Suas roupas, apesar de conflitantes com o clima do dia, estavam limpas, seu cabelo estava preso e seus olhos eram claros.

Mas, de repente, comecei a chorar muito, as lágrimas começaram a sair sem meu controle: quando avistei a calça que ela usava, percebi que, entre suas pernas, havia uma grande mancha, escura, preta… Não preciso ficar detalhando sobre o que era mancha: o importante é que ela estava lá, e não havia qualquer esperança de que ela sairia.

Não havia banheiro, não havia absorvente, não havia calça extra, não havia ônibus naquele terminal para levá-la até sua casa: simplesmente porque também não havia uma casa.

E eu fiquei lá, chorando em meio a uma multidão que, também como eu, insiste em ficar cega.