De azul ele pintava as escadas e o corrimão. O pintor era jeitoso, e fazia seu ofício com cautela. Mas se o metrô República, pertencente à linha amarela, vai ficar pronto daqui a algum tempo (assim esperamos), por que pintar aquela construção de madeira, que será destruída logo após o término da obra?
Na Sé, aqueles homens mais pareciam abutres do que vendedores-de-fotos-três-por-quatro. Pouca coisa me deixa irritada, mas eles ficam em cima de nós: “e aí mocinha, três por quatro é aqui!”, ou “morena, se quiser foto, é só vir comigo” – como se a morena aqui tivesse coragem de acompanhar um estranho até um beco para triviais fotos. Graças a Deus, o Poupatempo é até que bastante organizado – bastou um pouquinho de paciência e logo já tive tudo o que eu queria lá dentro mesmo.
Eu não sei como elas sobrevivem, e também não sei se alguém acredita, mas faça chuva ou sol, as ciganas do Anhangabaú insistem em “profetizar”. Basta um olhar, e elas te puxam e seguem, até um sonoro e definitivo não. De uma certa forma, elas lembram os caras que ficam em frente ao Poupatempo da Sé – só que usam vestidos amarelos com havaianas coloridas.
Mesmo com o permanente fedor do centro, foi muito proveitosa minha peregrinação por lá. Observar já com olhos de estrangeira o funcionamento da cidade serviu para, de alguma forma, eu gostar mais dela. E sentir mais falta.
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