Arquivo para Março, 2009

… e os 7 continentes

Apos um longo e estressante final de semana pre-prova, essa terca-feira tem cara de sabado: tudo eh tao mais tranquilo…

Tivemos nossa primeira prova ontem, uma chamada oral. Apos os resultados serem divulgados, todos saimos para comemorar e aproveitar o clima primaveril que reina em DC.

Paises representados na mesa do bar: Canada, Estados Unidos, Mexico, Colombia, Venezuela, Brasil, Argentina, Chile e Romenia.

Conversa vai, conversa vem, ficamos cerca de duas horas descobrindo, por meio de curiosidades, esse enorme continente chamado America. E para nao ficar chato, vou colocar em topicos aqui as coisas mais legais de ontem:

1.Nao eh so o Brasil: TODOS os paises da America Latina fazem piadas sobre os argentinos. Do Mexico ao Chile, a fama dos hermanos eh a mesma: arrogantes. (Engracado foi ver a cara da Lali, a portenha da mesa, ao descobrir isso).

2. Nas escolas dos Estados Unidos e Canada, os alunos aprendem que ha 7 (SETE!!!!) continentes: “Australia”, Asia, Africa, Europa, America do Norte, America do Sul e Antarctica. Para quem nao se lembra, nos, brasileiros, e creio que a maioria da humanidade, aprendemos que ha 5 (CINCO) continentes:  Oceania (ai sim, compreende Australia e Nova Zelandia), Asia, Europa, Africa e America.

3. Mexicanos e Canadenses tambem nao gostam muito de americanos. Acham-nos arrogantes.

4. A Venezuela eh um dos paises (nao sei se o unico) da America do Sul onde o futebol nao eh muito popular. Se quiser jogar bola na rua, o maximo que voce podera fazer eh jogar beisebol, a verdadeira paixao nacional.

5. Temeperaturas do inverno no Canada chegam a 40ºCelsius NEGATIVOS. Ainda existem iglus la. Um dos esportes comum por no pais, que tem apenas 30 milhoes de habitantes, eh o curling.

6. Pode ter sido um lapso de memoria de minha parte, mas eu lembrava que o Uruguai fazia parte do Brasil como Provincia Cisplatina, ate que eles conseguiram se separar. Mas ontem soube que o pais era da Argentina tambem…

7. Falando em Argentina, essa eu tenho que contar: Lali, fanatica em futebol e torcedora roxa do Boca, admitiu que os brasileiros sao melhores com a bola do que eles. Em homenagem a Lali, deixo-vos com uma piada classica de argentinos:

Um avião caiu na floresta. Restaram apenas 3 sobreviventes.Um indiano, um judeu e um argentino. Caminhando entre as árvores da grande floresta, eles encontraram uma pequena casa e pediram para passar a noite. O dono da casa disse:

- Minha casa é muito pequena, posso acomodar somente 2 pessoas, 1 terá  que dormir no curral.

O indiano respondeu: – Eu dormirei no curral, sou indiano e hinduísta, necessito praticar o bem.

Após uns 30 minutos alguém bate na porta da casa. Era o indiano, que disse:

- Não posso ficar no curral, lá tem uma vaca, que é um animal sagrado, e eu não posso dormir junto a um animal sagrado. Então o judeu respondeu:

- Eu dormirei no curral, somos um muito povo humilde e sem preconceitos.

Após uns 30 minutos alguém bate na porta da casa. Era o judeu, que disse:

- Não posso ficar no curral, lá tem um porco, que é um animal impuro, eu não posso dormir junto a um animal que não seja puro. Então, o argentino, “muy putón de la vida”, aceitou dormir no curral. Após uns 30 minutos alguém bate na porta da casa.

Eram o porco e a vaca.

58 dias e meio

Minha passagem pelos Estados Unidos compreende exatos 117 dias. Assim sendo, hoje estou na metade da minha viagem.

O sentimento que prevalece eh o de medo. Medo de estar perdendo alguma coisa, medo de esquecer de fazer algo, medo de nao ver o imperdivel.

Em uma das varias palestras que fui, ouvi a frase: “Aproveitem a cidade. Talvez voces nunca mais voltem”.

Eh a primeira vez que acontece isso comigo. Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina… Lugares que ja fui ao menos duas vezes, e estao pertinho de Sao Paulo. Mas Washington eh diferente. Realmente pode nao existir uma segunda vez.

Jah visitei muitos museus, andei pela cidade, passei pelo Capitolio e pela Casa Branca.

Jah fui ao McDonalds, jah comi Donuts, jah vi muitos filmes sem legenda.

Jah conversei com o povo daqui sobre varios assuntos. Jah sei qual eh a opiniao sobre o Brasil. Jah sei como as pessoas se comportam no metro.

O que mais eu poderia fazer?

Nesses 58 dias e meio que faltam, tenho algumas certezas a me espera: Cirque Du Soleil em Baltimore, New York em Abril e em Maio. So me resta criar mais certezas, mais expectativas.

Nao sei se foi por acaso, mas acordei hoje exatamente com esse trecho do U2 na cabeca:

“But I still haven’t found what I’ve looking for”

Tomara que eu encontre.

A Vaidade brasileira

No comeco, pensei que era coisa da minha cabeca, mas depois de dois meses, vi que nao.

As mulheres estadunidenses sao bem menos vaidosas que as brasileiras.

A comecar pelo cabelo. Elas (e eles) preferem nao pintar apos alguns anos,  e eh incrivelmente comum ver cabelos brancos, nas ruas, comerciais de TV… Eu, particularmente, adoro cabelos brancos, mas gosto eh gosto.

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Quanto as roupas, sao muito mais formais. Tive dificuldades para me ajustar e usar social todos os dias, mas gracas a Deus escolhi a profissao certa – numa redacao, ate o chefe usa jeans.

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Eu estava numa loja da Victoria’s Secret quando comentei o tamanho dos biquinis daqui com uma amiga americana. Ela perguntou sobre o nosso modelo, a famosa “thong”. Expliquei mais ou menos o tamanho e disse que na praia muitas mulheres usam. “They wear this in front of a lot peolpe? My Goshh!!”, ela disse. Ficou nao so surpresa, mas espantada como nos usamos biquini na frente de todo mundo, “sem preocupacao”.

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A “Brazilian wax”, como eh conhecida a depilacao com cera por aqui, tem sido cada vez mais comum. Hoje mesmo esse tema estara presente no Ellen Degenres show. Olha o que ela “tuitou”: “People of Brazil: what do you have against hair? Why is your pain threshold so high?”

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Alerto a todos que nao sou rata de salao, nao gosto nem de usar maquiagem, e estou bem longe dos padroes de beleza estabelecidos pela sociedade ocidental.

Mas tenho um ponto fraco: manicure. Tenho uma mania irritante de ficar cutucando meus pobres dedos, o que acaba com minhas unhas e cuticulas. Assim, imagine que estou aqui ha dois meses sem pisar num salao… As manicures daqui sao, em geral, orientais (nao sei de qual pais), e NAO TIRAM AS CUTICULAS. Pode? Nem arrisquei por o pe (ops, a mao! hehe).

Mas nao aguentei. Procurei no Google e achei uma brasileira que esta aqui ha 9 anos. Tem um “salao” nos fundos da casa, bem arrumadinho. Dulce eh de Santa Catarina, cabelereira (?)/manicure/pedicure/depiladora ha muitos anos. E por US$ 10, matei minha necessidade e, agora sim, tenho meus dedinhos de volta.

Lula and Obama

Esse “journal” eh do dia 15/03, mas acho que ainda vale postar. ;)

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By Yohana de Andrade

Thanks to Soledad and Dallia, I could go to the United States Hispanic Chamber of Commerce’s 19th Annual Legislative Conference, on Tuesday. Unfortunately, I couldn’t see president Obama, however all the workshops were very good. Between Immigration, Health Care and Environment, the immigration was my favorite issue. I could realize how much the Latin people in US face huge problems to survive.

Finally I went to the Politics & Prose bookstore, at Connecticut Avenue. Beyond the books and café, this bookstore invites authors to discuss their books. Wednesday, Peter Singer was there. He wrote “The Life You Can Save”, where he shows “that our current response to world poverty is not only insufficient but ethically indefensible”.

Lula, the president of Brazil, came to Washington yesterday to meet president Obama. Because of this meeting, I made a great report in Voice of America about the US and Brazil relation. I could talk to Paulo Sotero, director of Brazil Institute, and Eliana Cardoso, Ph.D. in Economics from MIT. Both of them agreed that Brazil and United States have, nowadays, different perspective related to agriculture issues. However, these countries always had good economic and politic relations. So, the report was broadcast to some countries in Africa, and I truly believe it’s an important issue to African people: Obama, the first African-American president, and Lula, president of the second largest country in African population.

Saturday I went to The Kennedy Center, and could see the collection Brides of the Arab World, with examples from all 22 countries in the League of Arab States, with more than 40 wedding. I also went to Georgetown. At night, at Joe’s apartment, we made dolls to draw the attention for homeless in Colombia. It was an interesting night, because everyone there was from different countries, so we could exchange ideas. And today, at Constitution Avenue, I went to Washington DC St. Patrick’s Day Parade, and saw a little bit of the Irish influence in the Washingtonian people.

Como uma formiga

Antes de chegar a Washington, li em algum lugar que iria sentir um pouco de nostalgia ao ver predios e ruas que tanto ja apareceram em filmes de Hollywood.

Bem, nao foi assim.

Estar em frente a Casa Branca ou dentro do elevador do meu predio eh quase a mesma coisa. Isso porque sou eu que estou ali, com a minha visao, a uma altura de 1 metro e 55 centimetros. O que mostram nos filmes sao imagens de helicopteros, paisagens inalcancaveis para mim.

Percebo cada vez mais que as lembrancas que terei dos lugares que visitei sao justamente meus pensamentos nesses lugares, nesses momentos. Minhas impressoes, e nao cartazes de longa-metragens.

Observar que os mendigos daqui abrem portas para ganhar trocados, ao inves de ficarem deitados no chao. Me irritar como tudo pode ser comprado ou comercializado nos supermercados. Me deleitar ao conhecer uma americana que fala portugues melhor que muitos tupiniquins.

Enfim, sao consideracoes pequenas que preenchem meu dia e minha memoria. Viagens, assim como a vida, sao feitas de detalhes.

Em 40 minutos

Quanto chiclete no chao. Sera que eh chiclete mesmo? Sempre fiquei pensando o que sao essas bolas cinzas na rua.

Ufa, o onibus o chegou. Ta cheio? Ai, acho que sim. Nao!! Eba!! Opa, eu estou no ponto ha mais tempo, por que esse cara vai entrar primeiro?

Meu maior medo eh perder meu Bilhete Unico. Sempre deixo na mala para nao correr riscos. Aii, cade meu bilhete unico????????

Ufa, no bolso. Sua doida, quantas vezes ja te disse para guardar na mala? O cobrador deu boa noite ou eu que ouvi errado?

Ufa, meu banco preferido estava vazio. Banco alto, do lado direito, na janela. Da para olhar quase todo mundo, ver a rua, encaixar minhas pernas e, alem do mais, corro menos risco de ser assaltada. Afinal, todo mundo pode me ver.

Por que essa velhinha veio sentar aqui? Odeeeeio velhinhas que nao sentam nos bancos amarelos designados tao e somente para elas. Juro que quando eu for velhinha so vou sentar em banco amarelo. Sera que ainda vou andar de onibus com 70 anos?

Parece ser uma velhinha descolada. Sou pessima para puxar assunto. Mas tambem adoro conversar. O que eu faco? Se eu pegar meu livro agora, talvez perca uma boa oportunidade. Vou perguntar que horas sao.

Ela nao tem relogio. O que eu faco entao? Tempo. Claro! Como nao lembrei antes!

-Como ta calor hoje, ne?

(olhando para janela, ela responde)

-Eh mesmo. Mais do que ontem.

Pronto. E para por ai. Ela continua a olhar o nada e eu continuo a pensar sobre o que fazer. Alias, nunca sei o que fazer quando tem alguem ao meu lado. Se estou comendo, devo oferecer? Se estou ouvindo, estara muito alto? Se alguem esta lendo um dos meus livros  favoritos, comento?

Putz! Lembrei que tenho de terminar de ler aquele artigo. Faltam 3 paginas, termino em 10 minutos.

Aiiiii que sono. Termino em casa. O que sera da procrastinacao se ninguem procrastinar?

Eca, meu vidro ta sujo. Vestindo lindo que aquela mulher na rua esta usando. Certeza que nao ia ficar bem em mim.

Ixi, a velhinha ta me encarando. Vou levantar e dar o sinal. Ta chegando mesmo.

Dou ou nao tchau? Perguntar sobre o clima eh um dialogo suficiente para dar tchau?

Ai meu nariz. Ainda morro com essa rini… ATCHIM! ATCHIM!

-Deus te crie! Diz a velhinha.

-Obrigada, digo eu. Tchau tchau!

Adoro velhinhas que dizem Deus te crie. Tao nostalgico. Quase uma peca no museu.

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O custo (literal e real) de um celular

Aparelho de celular Nokia: US$ 19

Linha pre-paga AT&T: US$ 15

Perder encontro com Obama por nao ter um celular: Nao tem preco

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Tudo comecou semana passada, quando Soledad nos avisou que todos os alunos poderiam participar da 19th Annual Legislative Conference organizada pela Camara de Comercio Hispanica. Entre outros convidados e workshops, estava ninguem menos que o presidente Barack Hussein Obama.

Ontem a noite, la fui eu dar um trato no cabelo, escolher a roupa, etc. Meia noite e meia e eis que alguem bate na porta (nao temos campainha): era Soledad, que mora no mesmo predio. Veio me avisar que, infelizmente, os alunos nao poderiam mais ver o discurso do Obama, somente poderiamos ir aos workshops.

Agradeci imensamente a ela por ter ido ate meu apto soh para me avisar – e evitar que eu levantasse as 6 da matina. Agora, poderia acordar as 9! Uhuu!

Cheguei a conferencia as 11. Sentada na area da organizacao, Soledad me disse que as 9h15 ela soube que houve algumas desistencias de ultima hora. Ela ligou para todos os celulares que tinha em maos, e avisou.

Pois eh. Os alunos foram e alem de terem visto e ouvido Obama de pertinho, APERTARAM a mao dele. Simples assim.

E, como eu nao tinha celular, estava incomunicavel, perdi essa imensa oportunidade.

Sai da conferencia e comprei um celular. Se soubesse que custava soh isso, tinha feito isso antes. Snif Snif…

Ten countries at one place

By Yohana de Andrade

On Monday, I went to the Career Boot Camp. My workshops were related to Peace Corporation and the nonprofit sector. After listen and see how organizations like those works, I can say that is exactly what I want to my life.

The Peace Corporation sends volunteers all over the world to help communities with health, education issues etc. They work in some countries of Latin America, Africa, Europe and Asia. Unfortunately, only citizens of USA can be a Peace Corp. volunteer, but I’m sure there are other corporations like this in my country.

After a week waiting for an answer of Mwiza Munthali, I finally went to the TransAfrica, the place where I want to volunteer. Mr. Munthali scheduled an appointment for me on Tuesday. It was like a job interview. I told him about my skills – like speak English and Portuguese, languages very common in many countries in Africa -, and he also explained a little about TransAfrica. However, he told me he has to talk with Latin America Division and only after this he can give me a feedback.

The International Festival was much better than I thought would be. Ten countries participated, and I could realize that, despite all human beings are from different countries and culture, we all have a lot of things in common. In Puerto Rico, for example, they also eat cheese with a sweet made of guava – exactly the same way we do in Brazil. The Chinese girls made a delightful presentation. And what to say about the Mexicans and their music? For one minute, I wished be Mexican to celebrate with them too.

This weekend I decided know more about my quarter. Walking around, I’ve seen it’s a great place to live, and to me it was a perfect time to enjoy the weather. Beyond that, I also spent the Sunday to read and write a lot of papers of class. Probably, the perfect day to do this.

Dia Internacional da Mulher

Andando por ai, descobri esse maravilhoso texto sobre esse dia. Concordei com cada palavra, e acho que eu nao poderia expressar melhor. Diante disso, posto aqui o texto de Marjorie Rodrigues.

Ps: eu ia colocar uma foto para ilustrar o texto, e joguei as seguintes palavras no Google Images : women, woman, mulheres, mulher. Em todos os resultados apareceram fotos de mulheres nuas e/ou seminuas, em geral magras e jovens. Mais um indicio para ratificar as linhas abaixo.

Vale a pena ler, sendo mulher ou nao.

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Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: “parabéns”.

Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.

Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.

Dizem que a rosa simboliza a “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade – da supervalorização da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas. Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger. Mas, bem, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro.Este tipo de crime também aparece com frequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.

Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”. A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades. Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso – onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou 18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor…). Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca. Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama. “Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.

Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda glamurizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência, estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.

Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas”, propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?) dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.

Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no dignissímo senhor seu cu.

 

Primeiros videos

Todos os videos abaixo foram gravados em sequencia ontem, dia do meu aniversario. Sao autoexplicativos (com hifen ou sem???? hehe). O ultimo mostra uma pequena parte da noite de comemoracao, na qual las chicas tentaram falar um pouco de portugues. Adorei ouvir “Parabens a voce” em espanhol!!!

Chega de letras. Play!

Meus 20 e poucos anos

O dia amanheceu em Washington, D.C. e eu, ansiosa, ja lembrei que estou com 21 anos. Definitivamente, entrei na decada dos vinte e poucos anos.

Olhei pela janela, e nao vi nada, alem de “branquidao”. Neve para todo o lado!!!! Ate agora, tinha nevado poucas vezes, mas era bem fraquinho, nem dava para sair na foto. Mas especialmente hoje, dia do meu aniversario, a neve foi tanta que pude ate fazer boneco, bola de neve… Deus nao poderia me dar um presente melhor.

Quando crianca, nao lembro o que eu imaginava fazer quando fizesse 21 anos. Contudo, nao importa quais eram os meus planos – eu nao poderia estar mais feliz e nao ha nenhum outro lugar no mundo que eu gostaria de estar senao aqui, realizando um dos meus grandes sonhos, talvez o maior.

Alem da neve como presente de aniversario do “Cara la de cima”, o Papai reservou para mim um almoco na Fogo de Chao, churrascaria famosa ai em SP, que tambem tem filiais aqui nos US. Eu nao curto muito comer carne, mas ele fez isso porque sabe o quanto eu sinto falta de comida brasileira – vegetais frescos, saladas… E sera isso que eu vou comer daqui a pouco. Obrigada, papai.

A neve continua a cair la fora. A vida ja me deu muitos presentes, e Deus ja provou de diversas formas seu amor por mim. Portanto, antes de assoprar as velhinhas, meu unico desejo eh continuar vivendo, e experimentando cada surpresa e gesto de amor que  ele ainda tem a me oferecer.

Make up for lost time

By Yohana de Andrade

After a month living in United States, I was felling a little bit sad about how many things I can see and visit, and I didn’t. So, I decided make up for lost time.

Friday, Feb/27th, was a busy day. In the morning, I joined Mike Smith, president of The Washington Center, and others students of TWC to meet Frank Carlucci. He was Secretary of Defense under Ronald Regan government, and also ambassador in Portugal. Seventy and nine years old, he could tell us about his experience of working to the government and to private sector.

Two hours after the end of the conversation with Frank Carlucci, the international students could talk with staff of the Western Hemisphere Subcommittee on Foreign Affairs for the House of Representatives – a perfect opportunity to ask all questions about the US international politics. In the beginning, I was afraid of asking, but I changed my mind and said: what (if there is one) the Subcommittee is doing to avoid the growing prejudice against Latinos in US; if it are true the rumors that US just went to Iraq to search oil and, last but not least, when the embargo against Cuba is going to finish. The others students also asked questions related to immigration and free trade agreements. But, I have to say, ALL the answers were very politic. The man didn’t say a direct and clear answer – just told us what the US will do, etc.

After that, I went to The Brookings Institution hear what are the priorities for the Italian G8 Summit. Franco Frattini, Italy’s minister of foreign affairs, surprised me. He said the rich countries should share responsibilities and be accountable. And the most important: not forget the problems in Africa just because of the crises. In summary, the priorities are: 1) economic crises; 2) energy and environment; 3) terrorism; 4) Africa development and 5) regional crises (Afghanistan and Pakistan). Everything was very interesting.

On Saturday, I decided drop off on Smithsonian station and make a tour in all museum I could go. So, I spent my day in the Freer Gallery of Art, Smithsonian Castle, Hirshhorn Museum and the National Air and Space Museum. Fortunately, I have to say, I got home very tired.

Today, my last day with twenty years old, I had a great experience going to church and see a mass in English. Again, I spent some time in the National Museum of Natural History, but I have to come back – I still have so much to see!

So, after a busy Friday and weekend, I really intend have more days like those.