Arquivo para Junho, 2009

Meu amor por Celso Amorim

Ok, ok. Reconheço a hipérbole do título, afinal nem conheço o senhor ministro tanto assim. Nada além de entrevistas na mídia, a wikipédia e seu currículo oficial (onde constam os nomes de seus quatro rebentos).

Mas que ele é o cara, isso ele é.

Segunda-feira, 22/06/09, ele esteve no Roda Viva “enfrentando” jornalistas famintos por informações esclarecedoras. Eu posso não ser especialista, mas qualquer zé mané pode ver a desenvoltura de Amorim para falar do mundo. Sem gaguejar, sem grandes pausas, falou sobre os inúmeros consulados brasileiros África a fora, sobre o almejo (ou não) a um lugar no Conselho de Segurança da ONU, sobre as atitudes de seu querido chefinho, o seu Lula, e etc.

Eu, que A-MO internacional, ria sozinha em frente a TV parecendo uma boba com cada resposta de Celso. Senti vergonha alheia pelo correspondente estadunidense da News Week que esteve lá, perguntando sobre a política interncional do Brasil, e ouvindo Amorim dizendo indiretas sobre as ações (imperialistas) ianques no planeta.

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Nosso ministro de relações exteriores deixou claro, várias vezes, que a política de intervencionismo não é a melhor. “Não adianta pendurar diplomas dizendo que se participou desse ou daquele conselho, dizendo a outros países quais devem ser suas atitudes diante de assuntos internos”. Para Amorim (e para mim), a melhor saída é sempre o diálogo.

Há alguns que acreditam que essa posição do Brasil de abster-se e tentar mantrer-se neutro é ruim. Na minha opinião, penso o contrário, e basta colocar-se na situação de qualquer país invadido (não só) pelos Estados Unidos: você gostaria que forças armadas de outro país, tipo da França, fossem ao Rio e invadissem os morros cariocas para combater traficantes de drogas?

A ironia vem de Lula (claro), que em algumas vezes posicionou-se (talvez) antes de conversar com o ministro. Hoje, frente ao golpe em Honduras, Lula afirmou que “Não podemos aceitar mais, na América Latina, alguém querer resolver o seu problema de poder pela via do golpe”. A questão é como será demonstrada essa não aceitação (até esse minuto, a atitude foi de não reenviar o embaixador brasileiro ao país, que estava por aqui de férias).

Claro que o Brasil não é o exemplo ideal a ser seguido. Tenho certeza que algumas pautas nunca foram tratadas com clareza, como a presença de nosso exército (mesmo que como forças de paz) no Haiti. Contudo, com o nosso famoso jeitinho, temos muitos mais amigos e colegas países nesse mundão de meu Deus do que outros por aí.

Um santo postou o programa na íntegra no You Tube. Salve o link, prepare as pipocas e deixe o show começar.

Ócio criativo

ocioEm meio as minhas “mini” férias, tenho tido a oportunidade de ouvir, ver e ler muito. Mas muito mesmo. E com tempo sobrando, até aquela eterna faxina no guarda-roupas eu já fiz. Conseqüentemente, tenho vááários assuntos que dariam ótimos posts. Abaixo, segue um resumo sem-vergonnha do que mais me chamou atenção nos últimos dias. Em breve, textos mais profundos! ;)

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A Dambisa Moyo estava em uma entrevista com Jorge Pontual há alguns dias na Globo News. Posso confessar? Bateu um orgulhozinho saber que euzinha aqui já havia entrevistado-a, e que o Pontual lá estava meio atrasado no assunto. Ela, economista nascida no Zâmbia, escreveu livro onde defende o fim de determinadas ajudas financeiras a seu continente de nascença. (Ok, entrego para você: a Zâmbina fica na África).

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Gabriela Silva Leite, no Roda Viva, estava maravilhosa. Ela, apesar de ser criadora da ONG Davida, é mais conhecida pela Daspu e por ter sido puta, como autodefine-se. Estudava na USP nos anos 70 e quis saber como era a vida das prostitutas. Acabou gostando e fazendo sua vida rodeada de meretrizes. Defende a regulamentação da profissão, que julga ser tão digna tanto quanto outras. Seu livro, “Filha, Mãe, Avó e Puta“, está na minha (infinita)  lista-de-obras-que-quero-muito ler.

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Falando em livros, após ser infectada por Stephenie Meyer e sua quadrilogia de Crepúsculo, mergulhei nas vidas de Rob J. Coles. O Físico e o Xamã não saem de minhas maõs, olhos e pensamento – o que não é pouca coisa, já que Edward e Bella são personagens meio.. fixos, se é que você, fã de Twilight,  me entende. Mérito de Noah Gordon.

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Preenchendo fichas e fichas e páginas e páginas de estágios na internet. Se alguém nunca se sentiu meio “nunca-vão-ler-isso”, levante a mão e junte-se ao clube. Não custa tentar, né? ;)

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E sim. Estou indignada com a abolição, ops, com o fim da obrigatoriedade do diploma para jornalistas. O ensino superior precisa de reformas (jura? nem dava para perceber!!), mas acabar com o diploma não resolve a situação. Informação é coisa séria, e o mínimo que se pode esperar é uma formação superior. Ali, o futuro periodista poderá refletir sobre sua profissão, ampliar sua mente com opiniões alheias e, claro, estudar a fundo o que fará quando tornar-se um foca.

Keep breathing

deep-breath

Eu tenho milhões de assuntos para escrever. Minha loucura, sempre constante, não deixa meus pensamentos refrearem-se nem por um só segundo. Eu poderia começar pela felicidade pontual de poder usar acentos novamente. Por andar pelas ruas da minha cidade, sentir o sol brasileiro. Ver o rosto de pessoas queridas, e ver que eu, inacreditavelmente, fiz falta.

Também poderia colocar aqui todas as mudanças que eu demorei a perceber em mim mesma. Como eu voltei de uma forma… diferente. Melhor? Pior? Também poderia escrever sobre minha procura a um juiz para me dizer isso. Alguém que visse minha alma, e entendesse minha loucura.

Mas duas semanas já se passaram desde que eu cheguei. Washington, New York… Tudo já faz parte de um sonho distante, tão conflitante com essa realidade tão indesejada.

Ou seja, em uma forma mais direta: não estou pronta para escrever. Às vezes tenho que lembrar que isso é um blog, e que outros olhos além dos meus leem. E se eu publicasse aqui tudo, mas tudo mesmo, muitas lágrimas iriam rolar, muita gente sairia magoada. Pura incompreensão, claro.

Até lá, eu só tenho que continuar respirando. Em milhares de momentos da minha vida, foi esse ato, aparentemente tão insignificante, that kept me alive.

Até quando, eu pergunto, dessa vez?