Arquivo para Julho, 2009

Writer’s block

Blogueira passando por um período piegas e sem inspiração nenhuma. Mais do que ninguém, espero postar algo (interessante) em breve. ;)

Desistência do possível

Eu sempre acreditei que todos os seres nascem bons e que o meio os corrompem. Determinismo puro. Mais do que isso, minha crença também envolvia que há um destino certo para todos nós, e bom destinos por sinal – basta escolher o caminho.

Alma gêmea, vida após a morte, felicidade no emprego, dinheiro não é tudo, blá blá blá.

E logo que cheguei ao Brasil, justamente após realizar meu grande sonho, desacreditei de tudo.

Comecei a achar que a vida seria mais simples se acharmos que o mundo é ruim mesmo, que a felicidade é uma utopia, que eu seria gorda forever and ever e que o ápice da vida, bem, simplesmente não há.

Se alguém já viu o filme Whisky, sabe do que estou falando. Afinal, por que cargas d’água eu iria alcançar meus objetivos, ser feliz e o escambal se ninguém consegue?

E nesses 2 meses eu me sentia perdida. Sabe, como se você mudasse de casa sem ter participado da mudança?

Não me reconhecia, não sabia mais como encarar o mundo. Minhas teorias-super-bem-formuladas-de-vida-feliz não serviam mais. E aí, que porra eu faria agora?

Trabalhar só para ganhar dinheiro? Namorar só para exibir? Ter amigos só para beber? Acreditar em Deus só para pedir?

Blah.

ewww

I´m back. Em toda minha forma feliz e utópica, muito obrigada. Vou ler Pequeno Princípe (de novo), lutar para encontrar meu (pelo menos) sapo encantado, não desistir do emprego dos meus sonhos e, o mais importante: voltar a acreditar no amor d’Ele.

ps: Espero continuar com esse bom humor pelo menos até semana que vem, quando as aulas e o trampo novo começam. Wish me luck!

Maria, a manicure baiana

Ontem, fazendo mão e pé, Maria – que vi pela primeira vez – começou calada, talvez vendo que eu estava entretida em minha leitura. Quando começou a fazer minhas mãos, desembestou a falar.

Baiana de 58 anos, simpaticíssima, veio a SP aos 14, casou aos 17, ficou 18 anos casada, teve 1 filho e separou-se em 1989. Depois disso, teve 3 namorados – sendo um japonês, a quem lembra com carinho, dizendo que foi ao Japão e não voltou mais.

E está solteira. Seu filho, de trinta e poucos anos, mora com ela.

Vaidosa, cabelos curtos tingidos, pouca maquiagem e  piercing no dente. Como toda manicure, suas unhas não estavam feitas.

Afirmava a todo momento que não queria casar, só namorar. Um caso aqui, outro ali…

Enquanto fazia seu trabalho, entrou no recinto um cara de meia-idade, que logo se sentou numa das cadeiras. Uma mulher logo começou a fazer seu serviço – aparar os pêlos da orelha (sim gente – isso é necessário e fico feliz que há pessoas como ele que sabem disso). Foi embora meia hora depois, sem pagar.

Maria chama: “Neide, venha cá! Neide!!”. Ela me conta que Neide, uma das cabeleireias, é a irmã do homem que acabara de sair. Eu não percebi, mas Neide havia dito a ele que ela (Maria) estava solteira, e que poderiam sair juntos, por quê não?

Maria me conta que ficou com vergonha, não precisava daquilo. Afinal, quem precisa de homens?

Mas no fim, puxou a Neide de lado e cochichou: “Pode dizer a ele que gosto muito de dançar. Se um dia ele quiser sair, é só me levar para dançar. Mas só dançar, hein?!”.

E ali, por trás daqueles óculos e rugas de 58 anos, havia uma menina, só pedindo um par de dança.

Post nada ideal

Se você está cansado das aulas maravilhosas de psicologia; se você já teve orgasmos nas aulas de filosofia mas não os quer mais; e se você precisa de idéias mais simplistas, capazes de no máximo fazerem você rir…

Seus problemas acabaram!

Sim, este post é sobre mais uma teoria minha. Da minha própria pessoa – filosofia de boteco pura.

Já imaginou se todas as pessoas que você ama, gosta, convive ou atura são invisíveis? Não com toda esse exagero, porém com essa base é feito o filme “A Mulher Invisível”. Filmaço de Claudio Torres (sim, irmão da Fernanda, filho da Fernanda e do Fernando) com Selton Mello. Mas não é sobre o filme que quero falar.

Em uma das falas, há a citação sobre a palavra ideal. Aquilo que está ou vem das idéias, e por isso só pode ficar lá, né? Pois é. Nunca tinha pensado nisso. Quantas vezes já usei tal adjetivo, qualificando como a palavra perfeita para descrever pessoas, sonhos, lugares. Desejar que algo ideal aconteça é meio contraditório… É aceitar, ao mesmo tempo, que aquilo que se deseja não possa ser idealizado – por definição.

Já ouvi conselhos de pessoas que, procurando um parceiro, fizeram uma lista das características que o (a) companheiro (a) deveria ter. Ou de pessoas que fizeram o mesmo com um emprego. Casa. Carro. Filhos. A lista pode ser enorme – vai aonde sua imaginação puder.principe encantado

Não sou contra listas. Mas, siga a titia aqui: quando você “esquematiza” algo no papel, está de alguma forma idealizando algo, certo? Mais do que objetivos a serem seguidos, você cria expectativas para algo que só existe… na sua cabeça.

É legal planejar? Claro que é. (Quase) tudo que consegui na vida foi planejando. Impondo metas a mim mesma. Mas metas subjetivas – eu poderia seguir por várias estradas para chegar aonde cheguei.

Então porquê eu insisto em idealizar tanto? Nunca fiz listinhas, mas deixo minha mente viajar idealizando pessoas. Praticamente inventando ocasiões, atos, respostas, vozes… Escapismo: sinto como se tivesse achado um lugar perfeito em minha mente , onde só eu posso entrar. Um lugar ideal.

E graças às boas gargalhadas resultantes do filme de hoje  e de minha filosofia barata também resultante do longa, lanço a campanha: não à idealização. Não às pessoas ideais. Não às relações, amigos, empregos ideais.

Afinal, lutar pelo que realmente pode acontecer deve ser tão mais fácil.

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SPOILER

Foi realmente necessário que a Luana Piovani ficasse 99,9% do tempo com calcinha e sutiã? E nós, mulheres, ficamos a ver navios! Isso é assunto para outros posts, mas já lanço outra campanha aqui: chega de nudez feminina. Nudez a todos, homens e mulheres, ou nudez a ninguém!